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| Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998 |
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Soulfly tem rock e tambor Novo disco de Max Cavalera tem a participação da Nação Zumbi, de Pernambuco Da Agência Folha Ex-integrante do Sepultura, Max Cavalera volta com banda e disco novos, exorcizando o passado e seus traumas: a separação do Sepultura, em 97, uma facada no peito , e a morte, em 96, de Dana Wells, 21, filho de sua mulher, Gloria. "Meu melhor amigo", revela Max. Soulfly , o álbum, estará nas lojas de todo o mundo a partir do dia 20. Soulfly, a banda, formada por Jackson Bandeira, também conhecido por Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, Roy Mayorga, baterista, e Marcello D. Rapp, baixista, sai em turnê pelos EUA e Europa daqui a duas semanas e deve passar pelo Brasil em agosto. O disco está sendo aguardado com muita ansiedade pelos fãs e crítica. Será um desafio para Max Cavalera, que era um dos pilares da banda brasileira de trash metal, considerada uma das melhores do planeta. As comparações com o Sepultura serão inevitáveis. Natural. Talvez por isso, Max Cavalera tenha convidado a Nação Zumbi, banda da qual ele se confessa fã. Os tambores de Jorge Du Peixe e de Gilmar Bola 8 e a guitarra de Lúcia Maia, com certeza darão uma sonoridade especial à Soulfly. Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Max deu, de Phoenix, EUA, em que fala de Chico Science, Sepultura, o novo disco, a banda que formou e o seu futuro como músico. LIBERDADE Fiz o disco que sempre quis fazer, com uma liberdade que não tinha no samplers, batidas de hip hop com hardcore e tambores da Nação Zumbi, que lembram os dos escravos. Quem acha que é um Roots 2 está louco. Não é porque eu saí do Sepultura que vou negar as regras do meu próprio jogo. Foi um desafio. A Nação Zumbi participa em 70% do disco. Lúcio Maia, em praticamente todo o disco. Sempre deixei claro que não roubaria o Lúcio da Nação Zumbi. Ele não vai participar do começo da turnê porque não pode. Quem vai tocar é Logan, do Machine Head. ÍNDIOS E ÁFRICA Esse disco está mais espiritual e ligado a coisas indígenas e africanas.. Basicamente o álbum tem dois lados: um é o pesado, como a morte do filho da Gloria (Dana Wells), um dos meus melhores amigos, ea separação do Sepultura, que foi uma facada no peito. Esse foi o lado do exorcismo disso tudo. O outro é olhar para o música indígena, africana e religiosa, com as mensagens da umbanda. Em "Prejudice" (Preconceito), tem um sampler de Bob Marley, tirado do vídeo "Time Will Tell", em que ele fala que não está do lado dos brancos nem dos negros, mas do lado de Deus. A BRIGA COM IGOR Infelizmente não falo regularmente com o meu irmão (Igor Cavalera), e a separação da banda não é uma coisa bem resolvida. Eu amo o meu irmão, gosto muito dele, tenho muita saudade dele. Mas eu tenho muita esperança que o tempo vai cicatrizar essa ferida e sinto que vamos acabar tocando juntos, como começamos. "Foi muito difícil fazer um disco sem o Sepultura. Eu acho que só se consegue fazer uma obra que dure muito tempo quando a dor é canalizada. Por isso eu coloquei a frase do Chico no encarte: "a esperança é quando a dor presente nos faz tentar outra vez". SEPARAÇÃO Você acaba ficando vulnerável quando se separa de sua banda. Mas isso já passou. Provei para mim mesmo que tenho potencial, garra e atitude para conseguir fazer com outras pessoas, com a mesma intensidade e mesmo espírito, o que eu fazia com o Sepultura. O futuro que eu vejo para minha carreira é trazer cada vez mais elementos brasileiros, africanos, religiosos, de hip hop, de hardcore, de metal, uma mistura de tudo, da maneira mais honesta possível, sem ter medo, mostrando um outro lado da música pesada, com a qual as pessoas não estão acostumadas. |
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