(Atualizado no dia 9/4/1998)

Chrysler reduz automação

Montadora aposta na volta dos operários, porque têm mais flexibilidade e podem detectar falhas na montagem

CURITIBA - A fábrica da Chrysler em Campo Largo (PR), que vai produzir a picape Dodge Dakota, começa a operar em junho com um índice de apenas 15% de automação. A empresa chegou a estudar um índice maior de automação quando do anúncio de que se instalaria no Brasil. Segundo Sérgio Hartmann, gerente de operações da fábrica, existem fábricas de automóveis no mundo onde a automação chega a 50%. Hartmann afirma que o menor grau de máquinas automatizadas na fábrica da Chrysler no Brasil será possível por causa do baixo número de veículos a ser produzido, cerca de dez por hora. Mas não é só.

Segundo o gerente de operações, o conceito de automação das fábricas de veículos, paradigma da indústria automotiva a partir da década de 80, está sendo revisto. "Está havendo uma volta às origens", arrisca Hartmann. Segundo o gerente, o mercado exige cada vez mais diversidade de modelos e de opcionais, uma flexibilidade que os robôs não podem oferecer. "Nós temos cada vez mais necessidade de respostas rápidas, o que não é possível com um processo automatizado, quadrado. Nada é mais flexível que o homem". Em agosto próximo, a fábrica da Chrysler em Detroit, Estados Unidos, vai aposentar os robôs responsáveis pela montagem da porta do Jeep Grand Cherokee. Em seu lugar, voltam os operários. David Elliott, diretor industrial da Chrysler no Brasil, diz que, além da falta de flexibilidade, pesa contra os robôs a manutenção cara.

Elliott diz também que, como os robôs não são inteligentes, qualquer falha na linha de montagem só pode ser detectada após a conclusão do processo, o que exige muitas vezes um duplo trabalho. Segundo o diretor da Chrysler, a tendência é a indústria automotiva reduzir de 50% para 10% o índice de automação no setor de montagem, e de 80% para 30% nos setores de soldagem e pintura. Ele acredita que a automação vai ser confinada a setores onde a saúde e a segurança do operário correm risco. No caso da Chrysler, ao rever a automação, a montadora está apostando em um novo modelo operacional. A fábrica brasileira- investimento de US$ 315 milhões para produção de 40 mil veículos/ano - vai ser a primeira a adotar o modelo desde a origem. Os funcionários da área de produção são divididos em times, ou grupos com cinco pessoas em média. Cada time é responsável por uma fase da montagem do veículo. São eles, com a ajuda de um líder de grupo, que definem a função de cada um e o modo como vão operar. A empresa reduziu também os níveis hierárquicos. Numa estrutura clássica eles podem chegar a oito. Na fábrica de Campo Largo eles serão apenas quatro. A montadora norte-americana vai empregar quatrocentos funcionários em sua primeira fase. Posteriormente, outros trezentos serão contratados.


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