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| Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998 |
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Falta de segurança preocupa moradores Além das quatro mortes em três dias, os moradores do município de São Lourenço tem enfrentado uma séria crise na segurança. Assaltos, arrombamentos e agressões físicas são uma constante no livro de ocorrências da delegacia da cidade. Em menos de quinze dias foram registrados dez homicídios, dos quais, três duplos assassinatos. O município, considerado cidade dormitório, abriga um pequeno comércio, pequenas indústrias, duas metalúrgicas, uma fábrica de rações e três bancos. Cercado por matas, é também ponto de desova de grupos de extermínio. Na análise dos moradores e de comerciantes locais, as polícias Civil e Militar têm pouca atuação na área. Ontem, feriado, apenas um agente estava em serviço na delegacia. A população é unânime em afirmar que as localidades de Pixete, Várzea Fria, Nova Tiúma e Loteamento São João e São Paulo são sinônimos de perigo. A maioria das mortes dos últimos quinze dias são de autoria desconhecida. O perfil das vítimas é quase sempre o mesmo: não têm emprego fixo, fazem biscates esão semi-analfabetos. Para a faxineira Luíza Albuquerque dos Santos, mãe do servente de pedreiro Eduardo Marques do Nascimento, o filho pode ter sido assassinado por homens que rondam o bairro num carro. "Eu não deveria, mas eu tenho de falar. Eles já mataram muita gente por aqui", diz desesperada. O drama de Luíza é sentido também do outro lado da cidade, onde na quarta-feira, morreu o operário Flávio Gomes Barbosa da Silva. A família prefere guardar silêncio e os amigos assumem o medo de represálias. "Enquanto nossos filhos morrem, a prefeitura faz festa", critica indignada, a líder dos moradores do loteamento Barro Vermelho, Enilda Melo. Ela se refere a festa do sábado de Aleluia, que o prefeito Etore Labanca promoveu no município. A comunidade (500 pessoas), fundada há doze anos, não é servida de ônibus e tem ruas onde não passa nenhuma condução por causa da falta de calçamento. |
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