Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Parlamento russo volta a enfrentar Yeltsin

MOSCOU - O Parlamento russo, dominado pela oposição comunista, rejeitou, ontem, a nomeação de Sergei Kirienko como novo primeiro-ministro. Mas o presidente Boris Yeltsin o confirmou no cargo logo depois. Em um dia de suspense e surpresas, 186 deputados da Duma (Câmara Baixa) votaram contra Kiriyenko e 143 a favor, além de cinco abstenções, uma derrota muito menos severa que a previsto.

Apesar de os 450 deputados da Câmara não estarem presentes durante a sessão e de cinco não terem votado, faltou ao ex-banqueiro e ex-mininstro da Energia 83 votos para conseguir a maioria.

Após a votação, Kirienko afirmou que consultará as distintas facções da oposição política russa para conseguir o apoio necessário a fim de ser confirmado no cargo. "Esperava um apoio menor", disse ele na Duma, localizada no centro de Moscou, próximo do Kremlin.

REAPRESENTAÇÃO

Justamente quarenta minutos depois da votação da Duma, o porta-voz presidencial, Sergei Yastrzhembsky, disse que o presidente havia enviado uma carta ao Parlamento em que voltava a apresentar Kirienko.

Segundo a Constituição russa, Yeltsin deve dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas caso seu candidato seja rechaçado três vezes. O presidente, 67 anos, deixou claro que a escolha está entre Kirienko ou a crise. "Não tenho mais candidatos", disse Yeltsin, em um discurso pelo rádio, quando acrescentou que cada dia sem governo mais se prejudica a economia.

Na Duma, Kirienko voltou a tratar do tema e apresentou um quadro de crise econômica se não lhe deixarem levar adiante as reformas. "O que ocorre hoje com a economia? Digamos honestamente que a situação é extremamente complicada", disse em um discurso de meia hora em que falou num tom firme e fluente.

"A crise financeira da Ásia e os baixos preços mundiais da energia incrementaram a pressão sobre a economia russa", afirmou. As dívidas com funcionários públicos e pensionistas voltaram a crescer.

"O produto interno bruto, o índice mais importante para medir o desempenho da economia, deixou de crescer, um terço dos fundos do orçamento está sendo destinado a pagar a dívida e um quarto da população russa vive na pobreza", disse ele, aos deputados, enquanto a maioria dos ministros observava das galerias.


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