Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Blair quebra tabu

LONDRES - "Sinto o peso da História em meus ombros", disse o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, quando decidiu ir para Belfast participar da parte final das negociações de paz sobre a Irlanda do Norte. Ele agüentou a carga e venceu todos os seus predecessores fracassados através dos tempos: juntou católicos e protestantes num compromisso de paz.

Desde que chegou ao poder, em maio de 1997, o mais jovem premier inglês do século, 44 anos, fez do conflito da Irlanda uma prioridade de seu governo. Veio decidido a quebrar os tabus do passado, a mudar posições firmes dos dois lados, que ameaçaram o acordo até a última hora. Ele disse que todos deviam pensar o impensável.

Ao embarcar para Belfast, na terça-feira, pouco depois dos protestantes radicais ameaçarem abandonar as negociações, Blair parecia determinado, mas sabia o risco de um fiasco neste empreendimento.

Quando chegou, os unionistas tinham acabado de rejeitar categoricamente um esboço de acordo proposto. Blair, sempre preocupado com sua popularidade, corria sério risco com um possível fracasso. Trancado por três dias para ouvir cada parte envolvida, o premier fez um trabalho de síntese que durante 25 anos se julgava impossível.

Conversou com Gerry Adams em setembro passado, o chefe do braço político do IRA. Foi vaiado por protestantes que o chamaram de traidor. Quando Adams entrou na residência oficial do primeiro-ministro em dezembro passado, em Londres, Blair violou uma proibição que vigorava desde 1921.

Blair se beneficia de uma situação política radicalmente nova. Com 419 deputados no Parlamento, ele não é refém, como foi Major, de um grupo de deputados da Irlanda do Norte, que em troca de apoio, paralisou o processo de paz durante todo o governo John Major.

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