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| Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998 |
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Adeus, seu Zezé Moreira Amaury Veloso Morreu Zezé Moreira, 90 anos, técnico do Brasil na Copa de 54 e um dos maiores nomes da História do nosso futebol. Ontem, no Rio, por conta de uma insuficiência respiratória, causada por uma pneumonia, seu imenso coração parou de bater. Já havia 25 dias que Alfredo Moreira Júnior, ou, simplesmente, seu Zezé, como chamavam os jogadores e até mesmo alguns confrades da imprensa esportiva, estava internado. O carioca vai para outro plano deixando como maior legado o início do processo de profissionalização no esporte. Sempre vestindo um tropical de fazer inveja, bem alinhado e de gravata, era assim que o treinador do Brasil na Copa de 54 chegava à Ilha do Retiro para dirigir a equipe do Sport. Na época, o presidente do rubro-negro pernambucano era o saudoso português Eduardo Cardoso e o diretor de Futebol, Antônio de Carvalho Lages. Era um ano em que o Sport não atravessava uma boa fase, mas Zezé Moreira era tratado com muito carinho pelos dirigentes rubro-negros, que ainda tinham no setor de Futebol, os dirigentes Clóvis da Silveira Barros, o Coca, Fernando de Queiroz Samico e João Brito de Albuquerque Maranhão. Seu assistente técnico era Astrogildo Néri, e seu Zezé, não conseguia melhorar o rendimento do time rubro-negro. A torcida vinha protestando, mas o técnico com aquela educação que Deus o deu, sempre prometia que o quadro iria melhorar. Tinha diretor que ficava enciumado com a elegância de Zezé Moreira. Certa vez, o Sport que estava na quarta posição da tabela, se preparava para enfrentar o Náutico. O treinador tirou Valdecy da lateral-direira e o colocou na ponta-direita, justificando que aquele atleta "tinha caracteristicas de ponteiro, vai muito à frente". Não deu certo e Valdecy acabou substitído no interválo. Clóvis Silveira ficou irritado e começou a marcar os passos de seu Zezé. Veio outra partida, o rubro-negro não foi bem e o treinador solicitou à diretoria, punir com multa um determinado jogador. Quando o atleta soube que estava sendo multado, procurou o técnico: "seu Zezé, eu não mereçoesta multa. O senhor é um pai para todos nós e não pode concordar com esta punição", dizia o atleta. Zezé prometeu solucionar o problema, porque sempre foi uma figura de alto nível, de uma educação ímpar. Procurou o dirigente Clóvis da Silveira Barros, o Coca, pedindo para retirar a multa, "porque nunca pedi para multar um atleta, estando invicto neste sentido". Mas logo veio a resposta do dirigente rubro-negro: "Seu Zezé, a multa do atleta está mantida e fique sabendo que o senhor perdeu sua virgindade aqui na Ilha". Como o termo utilizado pelo dirigente não foi mesmo virgindade, foi o suficiente para Zezé Moreira trocar de roupa e entregar o cargo. O Sport era o quarto colocado no Campeonato, Astrogildo Néri assumiu o comando técnico, levou o clube ao vice-campeonato e numa determinada tarde, dirigindo o Fluminense, Zezé chegou à Ilha e parabenizou Astrogildo pelo trabalho de recuperação do time rubro-negro: "Eu tinha certeza que este time não chegava, mas você foi um herói fazendo dele o vice-campeão estadual". Assim era Zezé Moreira, um homem de fina educação e que sempre agradou a todos. |
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