Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Exportação de carros bate recorde

SÃO PAULO - O faturamento de US$ 526,2 milhões obtidos com a venda para outros países em março, garantiu à indústria automobilística brasileira o seu terceiro melhor resultado mensal da história. Também representou o melhor março para o setor. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê para o ano crescimento de 20% na comparação com 1997, quando as exportações renderam US$ 4,792 bilhões.

"Os frutos da adesão ao regime automotivo começaram no final do ano passado", disse o presidente da Anfavea, Silvano Valentino. A exportação é parte do compromisso que a indústria automobilística assumiu ao participar do regime automotivo, por meio do qual o governo reduziu o Imposto de Importação (II).

O faturamento com exportações da Fiat cresceu 381% no primeiro trimestre, na maior parte oriundo de veículos Palio, que seguiram para a Europa e Mercosul. No período, As exportações da montadora registraram um crescimento de 105,6% no primeiro trimestre de 98, em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 31.853 unidades. O modelo Palio lidera o ranking da Fiat, com 22,5 mil unidades exportadas, principalmente para Europa e Mercosul.

Além dos carros montados, a Fiat registrou um grande aumento na venda de peças para os países que também produzem o Palio, como Turquia, Marrocos e Polônia. O peso da receita da Fiat na balança comercial brasileira no período será de R$ 300 milhões, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado.

A Volkswagen prevê exportar este ano 80 mil veículos, 70% mais do que em 1997. No ano passado a montadora obteve US$ 800 milhões com exportações. O aumento do ritmo das vendas ao exterior deve-se, sobretudo, a novos contratos com o México e a Argentina.

Também, a General Motors acaba de alcançar um recorde de exportação de componentes para veículos, num total de US$ 10,2 milhões em março, 153% mais do que no mesmo mês de 1997. A GM vende peças fundidas, estampados e eletrônicos para os Estados Unidos, Alemanha, Japão, Inglaterra, Suécia, Austrália e Argentina. A montadora prevê exportar o equivalente a US$ 1 bilhão este ano.

Valentino voltou a pedir a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os mesmos níveis de outubro do ano passado, ou seja, redução de 13% para 8% na alíquota dos carros populares. Segundo ele, em 97 as montadoras estavam trabalhando para vender 2 milhões de veículos, produziram 2,07 milhões, mas só conseguiram vender 1,9 milhão. "O mercado nacional parou exatamente no momento em que se atingia os 2 milhões de carros vendidos" A redução do IPI, segundo ele, é a única forma de as empresas voltarem a ter competitividade. "Nossos grandes concorrentes internacionais gozam de volume de produção tão elevada que a simples perspectiva de que não teremos aumento de produção já é um fator de perda de competitividade", ressalta.


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