Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Pacote fiscal do Japão repercute mal no mercado

As ações despencaram em 1,5% e a cotação da moeda japonesa caiu

Tóquio - O mercado financeiro japonês recebeu mal a proposta do primeiro-ministro, Ryutaro Hashimoto, de reduzir os impostos em US$ 30 bilhões no atual exercício fiscal para estimular a demanda e reaquecer a economia. O mercado acionário chegou a cair 1,5% e a cotação do iene caiu para até 133 por dólar, forçando o Banco do Japão, o banco central japonês, a intervir abertamente no mercado para sustentar as cotações da moeda.

O índice Nikkei de 225 ações recuperou-se parcialmente e encerrou a sexta-feira a 16.481,12 pontos, queda de 0,34%. Em Londres o iene era negociado no final da tarde a 131,48 por dólar ante 127,38 da véspera, menor nível em um mês. O mercado não funcionou hoje (10) em Nova York por causa dos feriados de Páscoa.

O Banco do Japão esteve bastante ativo durante toda a sexta-feira. Operadores descreveram a atuação do BC japonês como "apressada" e "persistente", e acreditam que a instituição pode ter vendido US$ 10 bilhões hoje na tentativa de sustentar a moeda japonesa. Alguns corretoresem Tóquio afirmaram que as vendas podem ter atingido a impressionante cifra de US$ 20 bilhões. O Banco do Japão não quis comentar sua atuação de hoje.

Funcionários do governo deram ao iene toda a sustentação verbal que puderam. Um graduado funcionário do Ministério das Finanças disse que o Japão estava pronto para atuar nos mercados cambiais sempre que fosse necessário e Tóquio estava muito preocupada com a crescente desvalorização do iene em relação ao dólar. "Temos muita munição e estamos prontos para disparar sempre que for necessário", disse.

O vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais, Eisuke Sakakibara, disse que "espera que o iene se fortaleça em relação ao dólar". Mas operadores de câmbio informaram que a queda do iene foi interrompida apenas pela atuação do Banco do Japão e não por uma mudança nas expectativas do mercado.

Reforçando o pessimismo, as autoridades econômicas rebaixaram suas perspectivas para a economia. "As expectativas de consumidores e empresas, que pioraram no ano passado, estão afetando a economia. O crescimento econômico está estagnado, e as condições estão ficando mais severas", disse a Agência de Planejamento Econômico em seu relatório mensal.


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