|
|
| Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998 |
|
|
Modernismo esquecido OPINIÃO Pobre do povo que não tem memória. A frase famosa de autor incerto cai com precisão no resgate que o DIÁRIO faz hoje sobre o estado em que se encontram algumas das célebres obras arquitetônicas do pernambucano Joaquim Cardozo. Responsável pelo desenvolvimento do modernismo na construção de prédios públicos e privados na região, o engenheiro também era voltado para as letras e como poeta e dramaturgo nunca se fez de rogado diante dos governantes. Seu atrevimento na definição de formas e traços, também se reproduzia no cotidiano. Assim, colecionou alguns ilustres desafetos como, por exemplo, o ex-interventor Agamenom Magalhães, que o teria demitido da secretaria de estado em que trabalhava. Em Boa Viagem, no Derby, no bairro do Recife, em Dois Irmãos, Olinda ou no Tejipió, a população do Recife pode mirar exemplos de projetos arquitetônicos que provocaram restrições e deslumbramentos na década de 70. O problema é localizá-los, já que boa parte deles sofre incógnito, órfãos de autor. Autoridades e empresários doturismo ainda não perceberam que estas peças arquitetônicas são tão importantes quanto nossa herança colonial. Que o traço de Joaquim Cardozo tem tanto brilho quanto o dos colegas holandeses ou portugueses. Por desafiar o senso comum, fugir do pré-estabelecido e contrapor padrões definidos como normais, o trabalho do poeta do concreto parece sofrer do mesmo mal sentido pelo autor: o sutil esquecimento dos detentores do poder econômico ou político. No entanto, cultura e competência não costumam ter fronteiras. Graças à reação do establishment nativo, Joaquim Cardozo teve oportunidade de escalar outras etapas e comprovar seu mérito no Rio de Janeiro e no exterior. Suas obras espalharam-se pela Europa, norte da África e América do Sul. Depois disso, obviamente, começaram a ampliar-se os espaços do poeta na arquitetura pernambucana. Ainda não era tarde. Até que a suave e resistência a seu trabalho é compreensível. Tanto ontem, quanto hoje. Afinal, a concepção modernista da arquitetura prevê o acesso da luz do sole da brisa entre as paredes dos estabelecimentos. E nem todo mundo é apto ou afeto de transparência e livre circulação de ares, luzes ou idéias. A maioria dos gabinetes sequer janelas possuem, muito menos espaço para renovação de ares ou formas. Dinheiro do BID Vamos ter reforçada a esperança de ver Suape ampliando e modernizando, estradas melhoradas e alargadas e a Zona da Mata norte e sul com recursos adicionais para a consecução dos propósitos que inspiraram o Promata. Isto porque o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cujo presidente acaba de nos visitar, prometeu contratar com o Governo local a destinação de US$ 300 milhões, desde que, é claro, possamos entrar com a contrapartida da ordem de 40%. Recursos financeiros que, embora pouco volumosos, são no entanto estratégicos, na medida em que estimulam o Estado a investir mais numa infra-estrutura detonadora de novas iniciativas. O investimento em infra-estrutura, sabe-se, traz consigo a marca da multiplicação, ele é altamente germinativo não apenas porque cria de imediato bom número de empregos diretos. Mas, porque estimula o surgimento de outros e novos projetos, os quais, implantados, geram ocupações estáveis em quantidade crescente. A ampliação e modernização do centro industrial-portuário deSuape dispensa justificativa, até mesmo, em nível de projeto. É dessas evidências que dispensam a mais ínfima justificação. As condições técnicas e operacionais de Suape e a excelente logística de que desfruta fazem antever, ali, a consolidação de um dos maiores pólos comerciais e industriais do país. O prometido empréstimo do BID aposta, é claro, nessa possibilidade extremamente desejada pelos pernambucanos. Anos e anos de desinvestimento na manutenção e ampliação rodoviária criaram, no Estado, um dos maiores gargalos prejudiciais ao nosso desenvolvimento econômico. Cuidar de estradas não é apenas tapar os buracos que o abandono vai cavando e multiplicando com o passar do tempo. Cuidar de estradas é sobretudo compatibilizar a infra-estrutura aqui mencionada com a alteração dos fluxos do transporte. Estradas antigas foram construídas para um gabarito de tráfego menos denso, pesado e veloz. Recife-Caruaru provavelmente estará a merecer a primeira auto-estrada de Pernambuco, com as características de uma Porto Alegre-Osório, no Rio Grande do Sul. E o Promata, que busca tirar dos investimentos efeitos sociais imediatos, nem por isso dispensa bastante investimento infra-estrutural. De fato, o aspecto dos benefícios sociais de curto prazo foi tão seriamente levado em conta pelo BID que, de um total de US$ 200 milhões de investimentos, a agência interamericana se compromete a entrar com nada menos que US$ 120 milhões, integralizando a diferença o governo do Estado. Ainda que os dividendos econômicos e sociais dessas inversões só se recebam a médio e longo prazos, nem por isso devemos silenciar o aplauso do DIÁRIO ao apoio do BID a tão relevantes projetos em Pernambuco. |
|