Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Hélio, a esfinge

PANORAMA POLÍTICO
Tereza Cruvinel

O presidente do PTB, José Eduardo Andrade Vieira, tem uma preocupação para reunião da Executiva de seu partido, na quarta-feira, quando será decidido se o PTB continua ou não apoiando o Governo. Ele não quer que os petebistas fiquem em cima do muro, como os tucanos em tempos passados. Em cima do muro, o PTB não terá nada, nem do Governo, nem da oposição. Para José Eduardo, tudo agora depende de Hélio Garcia.

O ex-governador de Minas participou de um encontro com o presidente Fernando Henrique poucas semanas antes de ser deflagrada a reforma ministerial. Depois, Paulo Paiva foi transferido do comando do Ministério do Trabalho para o do Planejamento. Uma pasta muito mais importante. Com isso começaram as especuilações de que, naquele encontro com o presidente, Hélio Garcia acertou o apoio à reeleição do tucano Eduardo Azeredo para governador de Minas Gerais, e daí a promoção de Paulo Paiva. Mas José Eduardo tem outra versão para a história. No tal encontro, o então ministro da Agricultura, Arlindo Porto, também estava presente. E Porto contou ao presidente do PTB que nada foi acertado entre Hélio Garcia e Fernando Henrique acerca da reforma ministerial. Tanto que o próprio Arlindo Porto foi surpreendido com o inusitado convite para deixar a Agricultura e assumir a vaga de ministro do Trabalho. Mais. Segundo Porto, quando Fernando Henrique puxou o assunto sobre as eleições em Minas, Hélio Garcia disse que era muito cedo para fazer qualquer análise ou prever alianças. Nesta versão, Paulo Paiva não foi feito ministro do Planejamento pelas mãos de Hélio Garcia, mas, exclusivamente, pelas mãos do presidente. Este sim, interessado em amarrar Hélio Garcia ao Governo federal e à reeleição de Eduardo Azeredo. O problema dessa história é que Fernando Henrique, com isso, estaria impedindo o próprio Hélio de concorrer a governador. - E eu tenho certeza de que não interessa em nada ao Hélio ficar mais quatro anos fora do poder, entregando todo seu grupo político ao Eduardo Azeredo - afirma Andrade Vieira. Ou seja, Hélio também estaria interessado em dar uma forcinha para o PTB pular fora do Governo.

Crise na oposição

Brasília virou pólo de mais uma encrenca capaz de dificultar a aliança do PT com o PDT e o PSB. O PT local está exigindo uma chapa apenas de petistas para a reeleição do governador Cristóvam Buarque. A atual vice-governadora, Arlete Sampaio, seria candidata a senadora, e o candidato a vice seria o também petista Sigmaringa Seixas. O presidente do PDT, Leonel Brizola, já protestou. Agora é a vez de o PSB reclamar. - O PSB de Brasília não tem nada contra os nomes lançados pelo PT. Mas, se não tiver um nome do nosso partido na chapa, deveremo ficar fora da aliança - diz diz James Lewis, que é um dos secretários de Cristóvam. O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, afirma que o partido também não abre mão da candidatura ao Senado nas alianças com o PT e o PDT no Rio e em São Paulo, estados nos quais os petistas também não está cedendo as vagas. - Não queremos confusões. Mas isso evidentemente terá reflexos na aliança nacional em torno da candidatura do Lula para presidente - diz Roberto Amaral.

Covas

O governador de São Paulo, Mário Covas, está certo de que, no mínimo, o PFL local vai para a convenção regional divido sobre o apoio aos tucanos ou ao PPB. Tanto quanto o PMDB nacional esteve na convenção em que discutiu a candidatura própria a presidente.

Maluf

O deputado malufista Delfim Netto (PPB-SP) acha que os pefelistas que falam em apoiar Covas só estão blefando. - É pura esperteza. Está todo mundo tentando tirar o melhor proveito possível da situação. Mas isso não vai longe - ironiza Delfim.

A força do PMDB

Os líderes do PMDB no Congresso fizeram uma exigência a Eliseu Padilha, antes dele aceitar o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso para permanecer no comando do Ministério dos Transportes. Padilha teria que obter a garantia de que o secretário-executivo da pasta, José Luís Portela, que é tucano, seria afastado do cargo, assim como o direito de nomear e demitir quem quisesse. Dito e feito. José Luís Portela já saiu e agora o Palácio do Planalto procura um lugar para encaixá-lo. Até o final do mês, os peemedebistas garantem que Padilha vai mudar todos os cargos-chave do DNER, colocando pessoas da confiança do grupo. O diretor geral fica.

A intriga está correndo solta entre os aliados do ex-presidente Itamar Franco, depois da aula magna proferida por Fernando Henrique no Hospital Sarah de Brasília. Querem saber por que o ex-ministro José Aparecido de Oliveira fez questão de estar presente.

O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, já ganhou um apelido da oposição. Está sendo chamado de "Edward Mãos de Tesoura". Vai cortar empregos. A CÂMARA julga na semana que vem Sérgio Naya.

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João Alberto
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