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| Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998 |
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Problema e crise PANORAMA ECONÔMICO A cobrança começou cedo para o ministro do Trabalho, Edward Amadeo. Sua afirmação na posse de que "não há crise de emprego no Brasil" está sendo apresentada como falta de sensibilidade para o problema, quando ele tentava apenas dar uma boa notícia. A de que o mercado de trabalho nos últimos anos continuou mostrando dinamismo, ao contrário do que acontece na Europa e na Argentina. A pobreza no Brasil é crítica, mas o retrato atual do desemprego ainda não configura uma crise. É um problema, é uma tendência preocupante, contra a qual temos que lutar. Pode vir a ser crítico, mas ainda não é - repete, e compara: - Eu sei que isto não é consolo para ninguém, mas o desemprego médio na Europa é o dobro do desemprego no Brasil. Na Argentina é o dobro. Na Espanha é o triplo. Os Estados Unidos conviveram até dois, três anos atrás com taxas de desemprego de 7%. A taxa cresceu nos últimos meses empurrada por três fatores, diz o ministro. O sazonal, nesta época do ano o índice sempre aumenta; o estrutural, mudanças tecnológicas estão aumentando o desemprego; o macroeconômico, as taxas de juros provocaram o adiamento de decisões de investimento. Dentro da hierarquia dos problemas, o país tinha mesmo que fazer o que fez para defender a moeda na crise da Ásia. Só que os juros têm este subproduto negativo. Empresas de serviço que estavam se preparando para iniciar novos investimentos e contratar tiveram que retroceder e adiar suas decisões - explica Amadeo. O Brasil vem passando por mudanças drásticas na economia e no mercado de trabalho. A estabilização, o aumento da competição e a introdução de novas tecnologias produziram alguns anos de crescimento da produção, da produtividade, do emprego e do salário. Aumento forte de produtividade, como houve no Brasil, provoca aumento do desemprego. Para compensar este efeito, é preciso haver grande crescimento econômico. Edward Amadeo falou do problema como um técnico, num momento em que o assunto virou a principal peça de uma campanha política. Por isto provocou reações. Masele estava ontem em sua casa no Rio mais preocupado em traçar o plano de trabalho para os seus primeiros dias no ministério. Com um grupo de especialistas, que inclui José Márcio Camargo, Ricardo Paes e Barros e Marcelo Neri, ele vai examinar o estado atual do mercado de trabalho. Quero ver onde é preciso atacar primeiro - diz. Na próxima semana vai chamar as entidades empresariais para discutir o uso dos recursos do Sistema S (Senai, Sesi, Sebrae etc.). Quero saber como está sendo o uso destes recursos, como está sendo a articulação das entidades com as secretarias do Trabalho. Quero que neste assunto a gente saia da retórica para ir imediatamente para a operação. Discutir este assunto é discutir o treinamento da mão-de-obra do país - afirmou. Além disso, vou manter o debate sobre a reforma constitucional na área trabalhista. Governo faz reunião O Governo vai convocar as montadoras para uma reunião. Dela vão participar o ministro do Trabalho, o secretário da Câmara de Comércio Exterior, o presidente do BNDES e os trabalhadores. Será a primeira tentativa de fazer a nova política de competitividade, uma espécie de planejamento estratégico do setor. O objetivo do Governo é aumento da exportação e diminuição do desemprego. Monopólio da rede De Dourados, Mato Grosso do Sul, chegou à Secretaria de Direito Econômico um caso inesperado. Um provedor de Internet está acusando seu concorrente na cidade de prática abusiva com o objetivo de dominar o mercado. Diante da queixa de clientes que não conseguiam acessar a rede, o provedor chamou a Microsoft, que, rastreando, descobriu que o concorrente havia implantado um vírus no sistema que travava o acesso. Juntou as provas e mandou tudo para a SDE. Dever de casa O Banco Central vai reunir no próximo mês os executivos responsáveis pelas áreas de controle dos bancos. O evento anual é conhecido como Semana da Contabilidade. O tema escolhido para este ano é espinhoso e urgente: lavagem de dinheiro. No caixa O Departamento de Infra-Estrutura do BNDES bateu o martelo. A Americel vai ser a primeira operadora da banda B a receber uma operação de financiamento do banco. O dinheiro sai antes de virar o mês. BCP, BSE e Tess também estão na fila. Com o aumento de tarifas das empresas estatais no ano passado, com o aumento da gasolina em outubro, é um espanto que as estatais tenham dado déficit em janeiro. No ritmo que vai a Argentina pode chegar a um déficit comercial de US$ 8 bi nesse ano. Luiz Antônio Pereira, baixista da banda Circo dos Horrores, conta o que realmente atrapalhou a promissora carreira artística do grupo: "Era difícil conciliar os ensaios e os estudos com nossas constantes sortidas de caça submarina." Turminha animada. |
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