Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

ONU prepara relatório

BRASÍLIA - A equipe da ONU que passou nove dias em Roraima investigando as causas e danos do incêndio que queimou 34 mil quilômetros quadrados de matas já voltou para Brasília e começou a preparar o relatório final sobre a tragédia. O relatório, que será divulgado oficialmente segunda-feira, vai concluir que o Brasil está despreparado para enfrentar catástrofes ambientais e precisa comprar equipamentos mais modernos para monitorar as queimadas, como antenas de satélite para obtenção e tratamento de informação sobre incêndios.

Segundo nota oficial divulgada hoje pela ONU, outras necessidades, igualmente urgentes, incluem um estudo de impacto ambiental dos incêndios e da seca. Foi também identificada a necessidade de construção de casas, de reforma de escolas e de centros de saúde. Segundo os técnicos da ONU, duas mil famílias estão passando necessidades por causa do incêndio, inclusive de alimentos. A ONU está particularmente preocupada com os índios.

Os sete membros da equipe da ONU que estavam em Roraima desde 31 de março fizeram vários vôos de reconhecimento e visitaram áreas afetadas pelos incêndios. Segundo o relatado pela missão, os focos de incêndio que afetavam Roraima já foram extintos ou encontram-se sob controle por causa das chuvas dos últimos dias. Algumas queimadas esparsas ainda são encontradas em vários pontos do estado. Uma campanha de informação está sendo feita através do rádio e TV alertando para o perigo das queimadas e suas conseqüências, inclusive criminais.

LEVANTAMENTO

O presidente do Ibama, Eduardo Martins, confirmou que um Lear Jet do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) iniciará, entre os dias 27 e 28 de abril, uma série de sobrevôos em Roraima para quantificar o prejuízo ambiental causado pelo incêndio que destruiu, segundo estudos peliminares, 34 mil quilômetros de mata no Estado. Este avião é dotado de equipamentos que permitem a realização de um mapeamento mais fiel, segundo Martins, o que não poderia ser feito pelos satélites Noaa e Landsat.

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