Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

A maior floresta morta do mundo

Incêndio em Roraima deixa um saldo de devastação sem precedentes e pode gerar uma tragédia ainda maior

BOA VISTA - A área devastada pelo incêndio em Roraima, que corresponde a 80% do estado do Rio, pode se tornar a primeira grande floresta de árvores mortas do planeta, com grandes riscos de incêndios. A biomassa (matéria de origem vegetal, usada como fonte de energia) que começa a ser depositada no solo (folhas e caules queimados) é cinco vezes maior do que a que existia e vai funcionar nos próximos anos como material combustível. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai fazer um levantamento do percentual de árvores que tiveram razões queimadas e que cairão nos próximos meses, aumentando esta biomassa.

O presidente do Ibama, Eduardo Martins, disse que futuros incêndios em Roraima poderão destruir completamente a floresta. Anteontem, o ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, sobrevoou a área queimada. De helicóptero, é possível ver milhares de árvores com as folhas ressecadas. O fogo que devastou a floresta queimou as raizes expostas e os troncos das árvores.Muitas começam a cair. A biomassa que se forma é uma mistura de folhas secas com troncos semi-queimados.

O superintendente do Ibama em Roraima, Ademir dos Santos, afirmou que, só em folhas e pedaços de galhos, a biomassa seca que se formou tem em média mais de dez centímetros de altura. Um vôo de helicóptero sobre o Boqueirão, uma das áreas mais atingidas pelo fogo, mostra que há grandes áreas desmatadas pelos agricultores, onde começaram os incêndios, junto com florestas atingidas. Na Ilha de Marac, reserva ecológica onde se concentram vrias espécies de animais, mais de 70 grandes focos de incêndio devastaram a vegetação.

Não há ainda estudo mostrando o impacto do fogo sobre animais silvestres da ilha, como veado e anta. Na Ilha de Marac, há árvores com as copas acinzentadas e outras totalmente queimadas. De helicóptero, a cem metros de altura, é possível ver o solo marrom. Mesmo após a chuva, alguns focos de incêndio resistem. O cheiro é de carvão molhado. No Apiau, outra área consumida pelo fogo, até as árvores que cobrem a cadeia de montanhas foram queimadas e muitas já começam a cair pelas encostas, criando uma biomassa nas bases de outras grandes árvores.


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