Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Operação só em 1999

BRASÍLIA - O ministro da Marinha, almirante Mauro César Pereira, considerou natural a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de assinar o decreto que permite à força possuir e pilotar seus próprios aviões, uma reivindicação de 40 anos. Na opinião do ministro, a assinatura do decreto "nem era necessária". Mas ele disse que a publicação do texto foi uma boa solução porque encerra, definitivamente, toda e qualquer dúvida que possa existir em torno do assunto. Segundo o ministro, os novos aviões só entram em operação efetiva em 1999. "Até lá, os pilotos da Marinha estarão sendo treinados", informou.

Apesar de o decreto do presidente trazer a assinatura do ministro da Aeronáutica, Lélio Lobo, com a do ministro da Marinha, a decisão não agradou à Força Aérea. Por instrução do Palácio do Planalto, as duas forças não devem alimentar mais essa discussão. Devem encerrar o assunto e trabalhar juntas, para colocar os jatos subsônicos Skyhawks, comprados pela Marinha, em operação. Ontem, tentando cumprir a regra, mas sem conseguir disfarçar o descontentamento, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica negou-se a comentar o decreto.

"Não temos nada a comentar. Para obter informações procure o Palácio do Planalto ou o Ministério da Marinha", informou o CeComSAer. O decreto assinado pelo presidente abre apenas para a Marinha a possibilidade de pilotar aviões. Até então, somente a Aeronáutica podia pilotar asas fixas (aviões). Portanto, se o Exército decidir também comprar seus próprios aviões, como fazem os norte-americanos, um novo decreto terá que ser assinado.

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