Recife, Sábado, 11 de Abril de 1998

Perdas e ganhos dos arraesistas

Tereza Rozowykwiat
Da equipe do Diário

A permanência do governador Miguel Arraes no cargo traz perdas e ganhos para os políticos e técnicos que gravitam em sua órbita. Ganham os integrantes do governo que estão envolvidos com projetos e programas que, para sua continuidade, dependem de articulações políticas elaboradas. Também ganham os políticos que precisam de um candidato forte na sucessão estadual para assegurar a manutenção das suas bases eleitorais. Caso Arraes tivesse deixado o governo, abrindo claramente a perspectiva de desistir da reeleição, os apoios conquistados dificilmente seriam mantidos e a tendência seria a de uma debandada para o palanque de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ou o de Carlos Wilson (PSDB). Por outro lado, perdem os candidatos socialistas a deputado federal, que se tivessem Arraes na chapa proporcional contariam com um grande puxador de votos.

Também perde o vice-governador Jorge Gomes. Ele poderia assumir o governo por nove meses, tornando-se um nome majoritário de peso no estado, como aconteceu com Carlos Wilson na segunda administração de Arraes. Na época, o governador se desincompatibilizou para concorrer a uma vaga na Câmara de Deputados e o vice assumiu. Imprimiu uma personalidade própria à sua gestão e saiu fortalecido. Tanto é assim que em 94 conseguiu ser eleito senador pelo PSDB, derrotando o candidato apoiado por Arraes, Armando Monteiro Filho (PDT), tido como imbatível.

Por fim, na medida em que aumentam as chances de Arraes sair candidato ao governo pela quarta vez, crescem também as dificuldades do seu adversário Jarbas Vasconcelos (PMDB). Embora esteja na dianteira das pesquisas, Jarbas terá que enfrentar um opositor forte, que potencialmente tem condições de reverter o quadro eleitoral que se desenha hoje.

PROGRAMAS

Quanto aos ganhos decorrentes da permanência do governador, vale lembrar que um programa que certamente seria atingido com a sua substituição seria o Promata, que objetiva qualificar a mão de obra da Zona da Mata e oferecer trabalho aos desempregados, vítimas da crise que atinge a agroindústria açucareira, especialmente no período da entressafra. É que para levar adiante o programa Arraes pediu ajuda ao presidente Fernando Henrique (PSDB), que se mostrou sensibilizado com o problema, comprometendo-se a interceder junto à sua equipe no sentido de facilitar a liberação de recursos para Pernambuco.

É evidente que a capacidade de negociação de Arraes com FHC é muito maior do que a de Jorge Gomes, se a ele fosse entregue tal tarefa. A decisão de ficar no governo, portanto, fez com que os secretários João Recena, do Planejamento, Mauro Magalhães, do Trabalho e Ação Social, Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, e Everaldo Rocha, interino da Agricultura, respirassem mais aliviados.

Outro secretário que se tranqüilizou com a permanência do governador foi João Bosco, da Infraestrutura. Sobre ele pesa a responsabilidade de levar adiante os principais programas desenvolvidos na atual gestão: eletrificação rural e abastecimento de água. A meta estabelecida por Arraes, de eletrificar 74% dos estado até o final do ano, e resolver grande parte dos problemas de falta de água do Sertão e do Agreste, dependem em grande parte da antecipação dos recursos decorrentes da privatização da Celpe.

DEPUTADOS

No plano político, os candidatos a deputado estadual saem ganhando porque têm como segurar seus apoios, especialmente os do interior. A realização de obras, como vem prometendo o governador, aliada a um palanque forte, garante o respaldo eleitoral de vereadores e prefeitos. Já os candidatos a deputado federal, que sonhavam com a repetição do que aconteceu em 90, quando o PSB montou a chamada chapinha e com a sobra dos 339 mil votos de Arraes elegeu mais cinco parlamentares, o sonho acabou.

Ao afastar a possibilidade de uma candidatura proporcional, Arraes pôs em risco a eleição de vários candidatos, como é o caso de Pedro Eugênio (PSB) e Renildo Calheiros (PCdoB), que o Palácio tem interesse em eleger. Dentre os que vão disputar uma vaga na Câmara, apenas Eduardo Campos (PSB) se beneficia com a ausência de Arraes na chapa proporcional, porque não terá que dividir seus redutos com o avô.


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