Recife, Segunda-Feira, 6 de Abril de 1998
Alexandre Gondim Cena da Paixão de Cristo do Recife, montada e dirigida pelo ator José Pimentel. Ele, que foi demitido do elenco de Nova Jerusalém, interpreta Jesus Cristo, num espetáculo grandioso e que teve até raio laser

e do Recife

Fernanda d'Oliveira
Da equipe do DIÁRIO

Quando estreou sua Paixão de Cristo do Recife, no campo do Arruda, ano passado, após o racha com a Sociedade Teatral de Fazenda Nova, o diretor e ator José Pimentel viu que seu espetáculo - divulgado em TVs, jornais, rádios e out-doors - ganharia sucesso de uma forma mais simples: a propaganda boca-a-boca. Quem via, saía comentando e levando mais gente ao estádio de futebol. A montagem ganhou estouro de público a partir do quarto dia, chegando à marca dos 70 mil espectadores.

Este ano, pode ser que o fenômeno se repita, e Pimentel quer dobrar o público, para 150 mil. Mas esta simples propaganda precisa ser eficaz, porque não mais que seiscentas pessoas assistiram à estréia, na sexta-feira à noite. E os muitos que deixaram de ir perderam uma boa montagem. A Paixão de Cristo do Recife é grandiosa, para a sua proposta de popularização, A Paixão de Todos. Preços populares - R$ 10 cadeira e R$ 5 arquibancada -, o programa familiar não é dos mais caros, levando para a filharada lanchinho de casa. Cerveja e refrigerante a R$ 2 e água mineral a R$ 1,50 é demais. São duas horas e meia de montagem e, com este calor, os gastos vão para a estratosfera.

A estréia teve clima de ensaio geral, necessitando de alguns ajustes. O som precisa de acerto urgente, por conta do eco que acontece no estádio. As frases entendidas eram as de ritmo lento. Subia a emoção e aumentava o ritmo, o som saía emboloado. E em vários momentos do espetáculo, luzes acesas nos cenários onde nada acontecia. Os telões, escuros, denotavam a pouca iluminação no palco. Mas como tudo isto é ajuste, pode ser refeito na segunda, ou terceira apresentação.

CENÁRIOS

Os erros, no entanto, não tiram a grandiosidade do espetáculo. A Paixão de Cristo do Recife tem a cara do seu dono, José Pimentel. Ele sabe muito bem tirar proveito dos recursos teatrais. Faz cenários magníficos com madeira, isopor e pano - que, de tão leves, desabaram com o vento forte do Arruda, antes do espetáculo, atrasando em meia hora o início da peça -, usa tecidos simples e de efeito, paraos figurinos e capricha nos efeitos especiais.

Seus anjos da anunciação são leves tecidos inflados com muito ar e bem iluminados. O raio laser é um espetáculo à parte, mostrando o Espírito Santo, o próprio Cristo e todos os raios de Satanás. Mas a emoção maior é quando se junta o efeito especial e o ator, como na cena do suicídio de Judas e na Ascensão de Cristo. Pimentel é levado até o topo do estádio por uma escada magirus. A platéia chora. É um espetáculo cheio fogos, luzes e cores. Grandioso e detalhista, como o próprio diretor. E como todo o projeto que Pimentel se debruça sai muito bom, A Paixão de Cristo do Recife também é um espetáculo imperdível.

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