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| Recife, Segunda-Feira, 6 de Abril de 1998 |
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Presidente recebe duras críticas do Le Monde Mais influente jornal francês deu destaque ao incêndio em Roraima PARIS - O Le Monde, mais influente jornal francês, dedicou a manchete da edição de ontem ao risco corrido por tribos indígenas de Roraima de passarem fome, devido aos incêndios na floresta amazônica. O jornal também faz em editorial severas críticas a Fernando Henrique Cardoso. Reportagem sobre o assunto é estampada na página 2, o espaço mais nobre ocupado pelo noticiário internacional. O Le Monde demonstra preocupação com a situação dos índios ianomâmis, cujas plantações, segundo seu enviado especial a Roraima, foram devastadas pelas secas e incêndios na região. O jornal afirma que os incêndios se propagaram em razão de duas políticas: a de colonização da Amazônia, elaborada pelos governos militares, e a de reforma agrária, aplicada pelo governo FHC na região. Segundo o jornal francês, o atual governo, até o momento, contentou-se em seguir a política amazônica dos governos militares. Os militares, afirma o jornal, incentivaram a colonização da região por questões de segurança nacional e a usaram para assentar sem-terra para amenizar conflitos agrários em outros locais. A reportagem também descreve os atuais conflitos pela terra observados na Amazônia e critica o governo federal por sua atuação nessa área. "Refém de uma coalizão dominada por partidos de direita, (FHC) não pode se permitir contrariar os interesses dos latifundiários do Sul e do Nordeste." As críticas a FHC são mais enfáticas no editorial. "Outrora homem de esquerda e sociólogo de renome internacional, (FHC) não cita a Amazônia senão para exprimir sua impotência frente aos saques em curso. Durante seu mandato, 47.220 km quadrados de florestas foram riscados do mapa. Apesar de suas atividades ilegais (...), denunciadas por diversa ONGs, companhias asiáticas se instalam em massa na Amazônia com a bênção do governo." MST ocupa engenho no município de Condado Nem a deflagração da Marcha Nacional por Reforma Agrária, Emprego, Justiça e Desenvolvimento Regional - que saiu, ontem, de três cidades rumo ao Recife - impediu que o MST deixasse de fazer mais uma ocupação: cerca de 130 famílias de sem-terra invadiram o Engenho Causinho, em Condado, a 87 quilômetros de Recife. Em oito dias, o MST fez 27 ocupações e três reocupações em Pernambuco. Enquanto os lavradores armavam barracas de plástico preto em Condado, cerca de 1.250 homens, mulheres e crianças iniciavam a marcha, em três colunas: uma saindo de Arcoverde (PE), outra de Natal e uma terceira de Maceió. Os manifestantes deverão chegar a Recife no dia 17, onde deverão participar de concentração no Centro a partir das 9h. Em seguida, reunidos, farão caminhada de mais dez quilômetros até o prédio da Sudene, na Cidade Universitária, onde pretendem chegar às 15h. Cada coluna deverá ter caminhado 300 quilômetros ao fim da marcha. A Marcha do Nordeste - como também vem sendo chamada - pretende alertar as autoridades para o problema do desemprego na zona canavieira, pedir providências para minorar a fome dos residentes em municípios afetados pela seca e fazer um grito em defesa da reforma agrária, segundo Jaime Amorim, coordenador do MST. Ele disse que os sem-terra de Paraíba, Ceará e Maranhão se integraram à marcha, que saiu do Rio Grande do Norte. PV dá apoio a Ciro Gomes RIO - O Partido Verde decidiu, ontem, apoiar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) para a Presidência da Republica nas eleições de 03 de outubro. A decisão foi tomada durante a convenção nacional realizada em Niterói, cidade vizinha ao Rio. "Esse apoio é muito relevante porque marca o início de uma aliança que poderá ser uma alternativa de centro-esquerda", disse Ciro Gomes, que esteve na convenção. Entusiasmado com o apoio, o ex-ministro comemorou também a filiação da juíza Denise Frossard, conhecida por ter mandado para a cadeia os banqueiros de bicho do Rio, ao seu partido. O PV deve indicar Alfredo Sirkis, presidente nacional do partido, para a vice de Ciro Gomes. |
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