Recife, Segunda-Feira, 6 de Abril de 1998

Bill Clinton gostaria de enfrentar tribunal

Presidente quer manter popularidade e concluir trabalhos na Casa Branca

Paulo Sotero
Da Agência Estado

WASHINGTON - O presidente Bill Clinton disse, ontem, que, se fosse apenas um mero cidadão, teria sentimentos contraditórios por não ter uma chance de refutar num tribunal as acusações de assédio sexual feitas contra ele pela ex-funcionária pública do estado de Arkansas, Paula Jones. Na semana passada, uma juíza federal considerou as acusações de Jones sem mérito e arquivou a ação que nos últimos quatro anos transformou a vida sexual de Clinton num tema dominante do debate público sobre seu governo.

"Mas não tenho sentimentos contraditórios como presidente, porque rejeitar o processo e encerrar o caso é claramente o melhor interesse do país", disse o líder americano .

As declarações de Clinton, feitas à revista Time na volta de sua viagem da África, fazem parte do difícil trabalho que ele tem pela frente para restaurar sua credibilidade pessoal, que nunca foi grande entre os americanos, e colocar a popularidade política que conseguiu manter durante o escândalo a serviço da ambiciosa agenda internacional edoméstica que pretende executar nos dois anos e nove meses que lhe restam na Casa Branca.

PESQUISA

As pesquisas de opinião, que Clinton usa mais do que qualquer outro ex-presidente para guiar seus cálculos e decisões políticas, indicam que os ventos estão a favor do líder americano, mas que ele ainda não está livre das conseqüências mais graves produzidas pelo escândalo.

As suspeitas de que mentiu sob juramento e conspirou para manipular o depoimento de testemunhas na ação Paula Jones e para obstruir a Justiça, que estão no centro da investigação criminal conduzida pelo promotor especial Kenneth Starr, sob mandato do Departamento de Justiça e de uma comissão de três juízes federais. Uma sondagem publicada peloWashington Post confirmou que dois terços dos americanos gostaria de ver o inquérito de Starr concluído o quanto antes. Mas uma forte maioria acha que as alegações que Starr está investigando são sérias. E, se elas forem comprovadas, apenas uma fração pouparia o presidente de algum tipo de punição.

O maior grupo entre os 809 adultos entrevistados, ou 37%, acreditam que se Clinton cometeu algum crime deve deixar a Casa, seja por renúncia ou impeachment. Pouco mais de 22% preferem que ele seja formalmente repreendido pelo Congresso mas continue na presidência e 21% ficariam satisfeitos com um pedido de desculpas de Clinton ao país. Apenas 16% acham que nada deveria acontecer e 4% disseram que não tem opinião.


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