(Atualizado no dia 1/4/1998)

PC reconhece voz e rosto do dono

Segundo os especialistas, a identificação biométrica logo deixará de ser uma imagem futurista

Parece filme de ficção científica: um homem, de pé em frente a uma porta, olha para a lente de uma câmera oculta e pronuncia seu nome. Após alguns segundos, uma porta se abre e o homem pode entrar. Em técnica de computação, isso se chama identificação biométrica, e, segundo os especialistas, logo deixará de ser uma imagem futurista.

Em breve, os computadores ou os telefones celulares reconhecerão seu dono pela voz ou pelas impressões digitais, enquanto em um caixa automático o cliente, através de uma câmera, será reconhecido pelo rosto. Isto, segundo os especialistas, é mais seguro, e também mais prático que a senha pessoal e os cartões bancários.

Mas os olhos mágicos que foram apresentados na feira de computação CeBIT, em Hannover, por enquanto são apenas protótipos. A Siemens mostrou um telefone celular que identifica seu dono não mais mediante uma senha pessoal mas por suas impressões digitais. "Pode-se armazenar ali as impressões dos dedos de toda a família", diz Manfred Bromba, gerente de produção da Siemens. Ele estima que já em 1999 o novo telefone estará pronto para ser fabricado em série.

O chip de silício do telefone Fingertip custa atualmente em torno de 28 dólares, "muito caro", segundo Bromba: "Nosso objetivo é ele custe seis dólares".

Também o sistema Finger-Scan com o qual a empresa alemã Leicher produziu caixas blindadas para bancos suíços reconhece impressões digitais.

O equipamento "não só reconhece as impressões dos dedos, mas também os vasos sangüíneos", diz Gerd Unsinn, técnico da Leicher, acrescentando que isso é uma vantagem no caso de o dono do aparelho ter um corte na ponta do dedo.

A identificação através da impressão digital é também muito mais segura que a senha pessoal nos caixas automáticos: "Há pessoas que escrevem a senha pessoal em seu próprio cartão de banco, para não esquecê-la", compara Unsinn. As impressões digitais, impossíveis de serem falsificadas, são a melhor proteção contra os saques não autorizados de contas-correntes.

A Leicher já vendeu doze sistemas de reconhecimento do rosto para depósitos de segurança em diversos bancos. As caixas em que os clientes guardam jóias, disquetes com dados valiosos ou até mesmo as chaves de casa durante as férias abrem-se depois que eles digitam uma senha secreta e olham para uma câmera oculta.

Já dentro de aproximadamente dois meses, o Instituto Fraunhofer protegerá o acesso de sua sede em Berlim de visitantes indesejáveis mediante o sistema BioID, conta Klaus Schroeter, um dos executivos da empresa alemã DCS. Os empregados do instituto deverão olhar para a câmera e pronunciar seu nome várias vezes para que o sistema possa armazenar os dados de sua identificação pessoal. "É como acontece com as pessoas", diz Schroeter, "também temos que conhecê-las, antes de poder identificá-las". O sistema reconhece também um penteado novo ou o envelhecimento natural de uma pessoa, atualizando os dados de tempos em tempos quando ela olha para a câmera.

Também o computador pessoal poderá em breve permitir o acesso a seus dados apenas depois de uma olhada no rosto de seu dono, através de uma câmera colocada sobre o monitor. O usuário poderá, então, dar ordens verbalmente ou ditar um texto ao computador, graças aos novos sistemas de reconhecimento de voz. Os grandes fabricantes de software já estão anunciando para antes do ano 2.000 a chegada ao mercado de sistemas operacionais para computadores que funcionam exclusivamente com ordens verbais.


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