Recife, Segunda-Feira, 6 de Abril de 1998

Há 150 anos

Quinta-feira, 6 de abril de 1848

Escravos Fugidos. - Fugiu do engenho Santa Ana, no dia sábado, primeiro do corrente, o molecote Eufrásio, de nação Moçambique, de marca pequena, bonito, costuma, as vezes, fumar charutos, anda um pouco empinado, pés pequenos; tem em cada uma das canelas feridas pequenas: quem o pegar leve-o ao dito engenho, ou ao Coelho, olaria de Miguel Carneiro, a Senhora D. Maria de Carvalho Paes de Andrade, que será recompensado.

Fugiu a crioula, de nome Ursula, vermelha de 50 anos, pouco mais ou menos, rosto descarnado, e já um pouco rugoso, olhos papudos, limpa e mal feita de pés; tem o andar muito feio e especialmente apressado; tem alguns sinais de relhos nas costas.

Esta escrava pertence a Antônio Luiz Pereira Palma, e desapareceu no princípio do próximo passado. Quem a pegar leve-a ao Sr. Manoel Inácio de Oliveira, que recompensará generosamente.

Vendas. - Vende-se uma negrinha de 14 anos, que cose e cozinha: na rua de S. José, nº 21: a vista do comprador se dirá o motivo por que se vende.

Há 100 anos

Quarta-feira, 6 de abril de 1898

Revista Diária. - Governo do Estado. - Pelas informações que nos foram ministradas, podemos dar a grata nova de achar-se quase em dia, com os seus pagamentos, o governo do Estado. O funcionalismo público acha-se já pago até o mês de fevereiro, bem como acham-se satisfeitos muitos compromissos de outra ordem contraídos pelo Estado.

É com muita satisfação e desvanecimento que damos essa notícia que é uma nova prova cabal e irrecusável do quanto se tem empenhado o Exm. Sr. Governador, para que, correspondendo a confiança que em boa hora lhe depositaram os seus concidadãos, sejam dia a dia melhoradas as condições financeiras do Estado, até certo tempo bem precárias por uma sorte de circunstâncias, até certo ponto imprevistas. Melhora, pois, a situação do Estado, a despeito das dificuldades da situação geral do país; e é de certo muito para louvar os bons frutos produzidos pelas medidas financeiras, a tempo e energicamente tomadas pela patriótica administração do Estado. (...)

Há 50 anos

Terça-feira, 06 de Abril de 1948

Padre Félix Barreto - O povo fez questão de levar o corpo do Padre Félix ao cemitério. Era o povo mesmo do Recife, o bom povo de nossa cidade, esse povo que votou no Brigadeiro para Presidência, como votou em Neto para governador, como encheu as urnas para os nossos candidatos. O povo do Recife foi vencido. Todos nós fomos vencidos. Mas nenhum de nós fraquejou ou baqueou na luta. O padre Félix também não estou a vê-lo na jornada de 10 de Novembro de 1937, quando o coronel Azambuja entrou em Palácio de botas e esporas para enxotar o governador constitucional e os que o cercavam. Félix Barreto estava lá e dali saiu com o mesmo passo firme e o mesmo olhar altivo. A morte colheu-o de surpresa como muitas vezes acontece. Ele não a esperava. Mas o trato com os livros da igreja o terá advertido que ela se nos apresenta freqüentemente como um ladrão; e assim a sua vida se extinguiu bruscamente, como um golpe de vento apaga de súbito uma vela. Apagou-se a luz de sua vida, mas o seu nome ficará na história do nosso Estado e de nossa cidade, onde toda a existência, ele viveu ensinando, pregando, confessando, dizendo a sua missa e se batendo pelos interesses da República (...) - (Z.) - Aníbal Fernandes.

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