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| Recife, Segunda-Feira, 6 de Abril de 1998 |
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E o PFL rachou PANORAMA POLÍTICO O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, o vice-presidente da República, Marco Maciel, e o baixo clero do pefelista no Senado produziram a grande novidade política desta reforma ministerial. Não, não foi a criação do Ministério da Reforma Institucional, o Mirin, como vem sendo chamado. A novidade é que o PFL entrou unido na discussão sobre ministérios e saiu rachado. Antônio Carlos e seu filho, o líder do governo, Luís Eduardo Magalhães, contra Bornhausen e Maciel, e todos contra o baixo clero pefelista do Senado. É isso que está deixando o alto tucanato feliz da vida. Muito mais do que simplesmente ter conseguido emplacar um senador de peso, como José Serra, no comando do Ministério da Saúde. Os desavisados da política poderiam até concluir que o PSDB perdeu com a reforma, porque a saúde já estava nas mãos de um tucano e o Ministério do Planejamento, que também estava na cota do PSDB, ficou sob o comando de um petebista. Poderiam até concluir queo PFL ganhou. Afinal, a vaga de ministro da Articulação Política estava dividida entre o PFL e o PMDB. A pasta foi extinta e o comando do Mirin sacramenta a quarta vaga pefelista no primeiro escalão. Mas política não é feita para desavisados. O Mirin não é nada, até prova em contrário. Pior: só foi conquistado graças a uma rebelião do baixo clero pefelista no Senado contra a cúpula do partido, que dividiu os cargos entre si nas negociações com o presidente Fernando Henrique. Ao dar o Mirin para esse grupo do partido, Fernando Henrique aprofundou o racha pefelista. Mais. A estratégia do PSDB está voltada para 2002, quando ocorrerão as próximas eleições presidenciais. E o caso aí não é só ter colocado José Serra no tabuleiro de presidenciáveis, onde já estavam os tucanos Paulo Renato Souza, Mário Covas e Tasso Jereissati. A estratégia tucana passa pelo racha do PFL. Quem conhece os pefelistas, sabe que há uma tradição em largos setores do partido de manterem-se agarrados aos governos até o último momento.Seja qual for o governo. Uma parte da cúpula pefelista já vinha avisando que em 2002 o partido terá candidato próprio. Portanto, caso Fernando Henrique seja eleito, há ameaça de que um setor do partido parta para a candidatura própria, abandonando a aliança com o PSDB, provavelmente lá pelo segundo ano do mandato. Bem, isso seria muito bom para o PFL, se o partido saísse unido da aliança. Mas, com o racha de agora, Fernando Henrique conseguiu preparar o caminho para manter uma boa parcela do PFL sob seu controle até o final. PTB pode atrapalhar a Previdência A anúncio do presidente do PTB, senador José Eduardo Andrade Vieira (PR), de que o seu partido passará a ter uma postura independente em relação ao governo, depois que perdeu o comando do Ministério da Agricultura, é um problema maior do que possa parecer. Quem avisa é o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima: - Tirar uma vaga do PTB no ministério causa desequilíbrio na base governista e um problema sério para a votação da reforma previdenciária. Já estávamos tendo dificuldades para votar a matéria. Sem o PTB, sinceramente não sei se será possível. O presidente Fernando Henrique terá que usar muito mais do que seu charme pessoal. Tudo bem O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, acha que não é hora de discutir quem perdeu ou quem ganhou. Acha que o ministério que valerá será aquele que for nomeado depois das eleições, em função da bancada que cada partido conquistar nas urnas: - Depois da Páscoa, pretendo começar a tratar da montagem do esquema de campanha com o presidente e os partidos aliados. Isso é o que importa. Tudo mal Mexe daqui, mexe dali, e vai aumentando o número de insatisfeitos com a reforma ministerial. O senador Édson Lobão (PFL-MA) está tiririca: - O Maranhão foi o grande perdedor da reforma. Com três senadores e 16 deputados que sempre votam com o governo, não conquistamos nenhum ministério. Está na hora de os parlamentares do estado começarem a votar contra o Palácio do Planalto. O PT que diz calma A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) está pedindo calma ao presidente do PDT, Leonel Brizola, que anda irritado com os ataques dos radicais do PT às alianças regionais com o PDT. - O problema é que o Brizola não conhece o PT. No nosso partido é assim mesmo. Quando a turma grita, alto. Mas, no final, vai tudo acabar bem. Teremos aliança nacional com o PDT e teremos alianças nos estados. O MINISTRO Raul Jungman, da Reforma Agrária, diz que o governo recebeu informações de que os assassinos dos sem-terra em Paraopeba vão entregar-se esta semana. O FILÓSOFO José Arthur Gianotti está preparando artilharia pesada contra o governo. Vai bater firme na política de ensino superior, no dia 15, durante palestra no Parlatino, em São Paulo. COMEÇA hoje ação conjunta da Receita Federal, do Incra e do Ibama para a fiscalização unificada do pagamento de ITR. |
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