Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998

Secretaria do Audiovisual libera verba para filmes

O dinheiro liberado pelo governo federal será usado em 15 longas

Luiz Zanin Orichio
Da Agência Estado

A Secretaria do Audiovisual, órgão do Ministério da Cultura, liberou financiamento destinado a desenvolvimento de roteiro e formatação dos projetos para um lote de 15 longas-metragens. São os filmes que deverão pintar nas telas dos cinemas nos dois próximos anos e foram contemplados com valores entre R$ 41 mil e R$ 80 mil. Os títulos selecionados são os seguintes: Madame Satã, Viva o Povo Brasileiro, A Conspiração do Silêncio, Marighella, Sob os Céus do Novo Mundo, O Povo e o Em Nome do Povo, A Fiel Operária Suzy Di, A Pequena Notável, Desmundo, Febre, O Outro Olho de Lampião, Pé de Moleque, Um Crime Perfeito, Videiras de Cristal e A Droga da Obediência.

Alguns desses embriões de filmes já eram conhecidos. É o caso de Suzy Di, que será dirigido por Carlos Reichenbach e faz parte de um conjunto de cinco títulos focalizando a vida de operárias do ABC paulista. Por enquanto, Reichenbach está terminando de rodar Dois Córregos, sobre a época da luta armada no País. Começa a filmar esse primeiro episódio de ABC- Clube Proletário (o título comum desse projeto de cinco faces) no início do ano que vem.

Também conhecido é Viva o Povo Brasileiro, ambicioso plano de adaptação do épico de João Ubaldo Ribeiro. A versão cinematográfica está sendo feita por André Luiz Oliveira, que irá dirigir o longa-metragem. Acredita-se que a obra esteja pronta no ano 2000 para ser lançada como parte das comemorações do quinto centenário do Descobrimento do Brasil.

Alguns títulos surgem como novidades totais. Um deles, Marighela, a ser dirigido por Diego de la Texera, será uma cinebiografia do guerrilheiro baiano, morto em São Paulo em 1969 pelas forças da repressão política. Marighella foi, ao lado de Carlos Lamarca, o protótipo de guerrilheiro da época. Lamarca já foi retratado em filme, dirigido por Sérgio Rezende. Agora chega a vez do outro. Até mesmo porque acaba de ganhar uma biografia, assinada por Emiliano José (não por acaso também biógrafo de Lamarca).

Ainda na vertente resgate histórico, porém com temática mais light, háA Pequena Notável, nova cinebiografia de Carmen Miranda, personalidade aliás já muito bem retratada por Helena Solberg em Carmen Miranda _ Bananas Is My Business, vencedor do Festival de Havana de 1996 na modalidade documentário. A grande novidade de A Pequena Notável será a volta de Carlos Manga à direção, depois de anos de trabalho na televisão.

Nota-se com facilidade: essa nova safra de filmes dá continuidade a uma tendência já evidente no atual cinema brasileiro - a tentativa de retorno a personagens e passagens históricas ainda pouco explorados pelo audiovisual. Como se o País, pelo caminho do cinema, procurasse conhecer-se um pouco mais.

Outros personagens que serão retratados nos novos filmes: o impagável Capitão Virgulino Ferreira, esse sim personagem conhecido em tantas obras do ciclo do cangaço, que agora ganhará perfil próprio em O Outro Olho de Lampião, com direção de Hermano Penna (de Sargento Getúlio). E um célebre malandro carioca (mas de origem pernambucana), valente e homossexual, também terá sua página de glória nas telas nacionais assim que ficar pronto o longa-metragem Madame Satã. O filme será dirigido por Karim Ainouz e terá co-produção com a França.

Digno de atenção prévia é também Videiras de Cristal, produção de Luiz Carlos Barreto, a ser dirigida por seu filho, Fábio Barreto (de O Quatrilho). O roteiro será uma adaptação do novo romance de José Clemente Pozenato, autor do livro que possibilitou a Fábio chegar a uma final de Oscar dois anos atrás. O Povo e o Em Nome do Povo, dos gaúchos Giba Assis Brasil e Jorge Furtado, será um documentário reflexivo sobre a manipulação política durante as campanhas eleitorais no Brasil.

O concurso promovido pelo MinC para o desenvolvimento de projetos e realização de obras audiovisuais permanece aberto ao longo do ano. As novas inscrições poderão ser feitas até 29 de maio e de 1å de julho a 31 de agosto. Informações no Ministério da Cultura (061-316-2240) ou nas delgacias regionais do Minc: em São Paulo (011-539-6304), Rio de Janeiro (021-220-6590), Minas Gerais (031-224-6785) e Pernambuco (081-221-0843).


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