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| (Atualizado no dia 31/3/1998) |
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Saloá tem programação litúrgica A Noite do Lava-Pés, o Calvário, Círio Pascal e a Queimação do Judas são vivenciados pelos moradores Luiz Carlos Pinto Era o Ano do Senhor de 1924. O Movimento Modernista fazia a Europa pegar fogo já há alguns anos. No Brasil, ele só começara a engatinhar com suas pequenas patas de mamífero paulistano. E o agreste pernambucano, alheio a toda essa efervescência, via nascer uma cidade cercada por belos vales e serras, onde lençóis de água cristalina afloravam em quedas d'água sobre grandes plataformas de rocha calcária. Era Saloá. A 280 quilômetros do Recife e mais de 70 anos depois de sua fundação, as coisas não mudaram tanto por lá. A natureza da região continua a presentear visitantes e moradores com seus adornos. E a tranqüilidade, pedra preciosa do local, continua a mesma, incólume aos percalços do tempo. Uma eloqüente prova disso é a forma como a comunidade vivencia a Semana Santa. Na quinta-feira (9/04), é quando acontece a Noite do Lava-Pés, que marca a instituição da Eucaristia. Durante toda a madrugada, até a manhã da sexta (10/04), os moradores ficam em vigília na igreja, simbolizando o acompanhamento da flagelação (sofrimento) de Jesus. O Calvário é vivenciado na tarde seguinte, na Sexta da Paixão, dia de reflexão e tristeza pelo passamento do Messias. Há, no final da noite, a Procissão do Senhor Morto pelas ruas planas e asfaltadas da cidade e o fechamento das portas da igreja. O andor envolve praticamente toda a população, que canta ladainhas. No Sábado de Aleluia a Igreja de São Vicente de Paula, padroeiro da cidade, fica fechada até a meia-noite do mesmo dia. É quando é realizada a cerimônia do Círio Pascal. Cada um dos moradores recolhe um pedaço de madeira para montar uma grande fogueira com a qual se acende o Círio, uma enorme vela que simboliza a ressurreição de Jesus. Os moradores seguem então em procissão até o interior da igreja, iluminados somente por velas e lamparinas. O Sábado também é o dia da queimação do Judas, o delator do Cristo, que no interior geralmente é identificado com um vizinho incômodo ou uma pessoa considerada má. CARTÕES-POSTAIS A falta de infra-estrutura hoteleira da cidadeé compensada pelas belas visões que se tem nas serras da Jussara e da Prata. A região, aliás, possui outros belos cartões-postais. Mas é preciso andar um pouco. Uma coisa é certa: o esforço vale a pena. Para chegar a esses locais, pode-se contar com a ajuda de guias que cobram R$ 10,00 pelo serviço. A queda d€água de Miracica, a quatro quilômetros de Saloá, e as cachoeiras do Sítio Coema e do Buraco do Bicho, no sítio Manoel Ferreira, são lugares imperdíveis. O ideal é ir esses locais nos meses de maio e junho, quando as águas prometidas pelos céus resolvem dar o ar de sua graça. Elas cobrem de relva verde as serras, os vales e as margens de lagoas que são formadas. BREJO O Hotel Fazenda Brejo, a única opção de hospedagem, é uma atração à parte. Além dos programas previsíveis - pesca orientada, passeio a cavalo, em charrete ou carro de boi e banhos de bica e piscina -, o lugar possui uma vasta área verde onde é possível fazer passeios ecológicos com graus de dificuldade variáveis. Para aqueles mais dispostos, existem duas ótimas opções. Uma delas é a trilha de 900 metros de altura. Ela é feita em um trecho de mata secundária (replantada) onde se encontram árvores nativas como o ipê amarelo, mulungu, jaqueiras, cajueiros e muitos obstáculos. A outra alternativa é a visita à mina de cristais, uma subida íngreme de 300 metros, onde se pode colher exemplares transparentes ou leitosos. Para completar o clima bucólico, leite no curral e uma alimentação que inclui queijo produzido na fazenda, café plantado, moído e torrado no próprio lugar e frutas, muitas frutas. Pés de acerola, abacate, jaca, laranja, cana-de- açúcar e pitanga é o que não faltam. MODERNISMO O tempo passa e Saloá sente as conseqüências da modernização. Antenas parabólicas e lojas que as vendem começam a aparecer nas esquinas, além de carros importados e computadores. Notícias do mundo novo chegam através da televisão, principalmente, e dos jovens filhos da classe abastada da cidade que vão morar na cidade grande. Como na década de 20, Saloá vive no mesmo tempo de mudanças radicais e decisivas, mas não a ponto de modificar o velho costume de seus habitantes: cochilar depois do almoço. O repórter viajou a convite da Milenium Turismo |
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