(Atualizado no dia 31/3/1998)

Município reserva história e beleza

A cidade de União dos Palmares, localizada no estado de Alagoas, foi sede do maior quilombo brasileiro: o quilombo dos Palmares. O local é cercado por serras e lendas.

Uma das maiores atrações da região é a Serra da Barriga, onde funcionou o mocambo do macaco, uma espécie de sede administrativa do quilombo. A Serra é um dos pontos mais altos do nordeste brasileiro, com 535 metros de altitude.

A cidade de União dos Palmares fica a uma distância de 220 quilômetros do Recife. Situada entre as serras, a cidade é um verdadeiro cartão-postal. O artesanato local é ricamente influenciado pela cultura afro-brasileira, assim como as músicas e danças.

A Serra da Barriga é um espetáculo à parte. O local foi palco de grandes batalhas entre os negros fugidos dos chamados palmarinos, e os brancos escravistas. A altitude e a dificuldade de acesso fizeram da Serra o lugar ideal para que os escravos o escolhecem como esconderijo.

A Serra da Barriga foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1985. Das antigas construções de pau-a-pique das casas dos escravos não há mais nada. No alto da Serra, um marco relembra a importância histórica do local.

A lagoa das Palmeiras, onde os negros palmarinos apanhavam água para sua sobrevivência, ainda serve às famílias locais. A vida no cume da Serra está intimamente ligada à rotina dos antigos habitantes do quilombo. A agricultura é a ocupação dos moradores e o espírito de união também é cultivado. Hoje, a Serra da Barriga é a casa de crianças negras e loiras.

TRILHAS

No mirante, o visitante tem uma visão privilegiada de todo o conjunto geográfico da região. A vegetação verde e os contrastes de cores e formas transformam a Serra da Barriga num convite ao sonho. Do mesmo mirante, centenas de negros desesperados com a possibilidade de retorno aos engenhos jogavam-se para a morte certa.

O caminho da subida da Serra traz uma surpresa atrás da outra. No verão, o trajeto pode ser feito de ônibus. Em caso de chuva, o jeito é subir a pé pelo menos a metade final do caminho. Árvores centenárias e pequenos animais silvestres são os companheiros da escalada.

A cada metro avançado, tem-se a sensação de estar entrando na história. Uma das lendas mais famosas da região conta que quando chega a época de colheita da cana-de-açúcar, a cultura predominante até os dias de hoje em toda região, os moradores do local escutam cânticos de lamento e durante a madrugada vêem negros descendo a Serra com seus facões nas mãos.

Outro atrativo para quem gosta da natureza são as trilhas. A região possui uma grande faixa de Mata Atlântica. As trilhas seguem mata adentro, levando o visitante a lugares paradisíacos. O terreno acidentado faz da aventura uma prova de resistência física. Apesar disso, os caminhos são bem conservados e não exigem nenhum equipamento especial, além do clássico tênis.

Pequenos macacos e saguis são os animais mais encontrados pelo caminho. Eles acompanham os aventureiros durante as caminhadas, especialmente ao cair da tarde. A única preocupação é na hora do lanche, os mais desavisados correm o risco de ficar sem suas frutas e biscoitos.

Exatas 14 quedas de água mineral formam o complexo do Murici. Segundo os habitantes, a dificuldade das trilhas que levam até as cachoeiras funciona como a melhor forma de preservação. (M.C.)


Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER