(Atualizado no dia 31/3/1998)

Trade quer dar um basta no turismo sexual

Os turistas que passarem em julho pelos aeroportos da França, Bélgica, Alemanha e Holanda ou procurarem as agências de viagens desses países receberão folhetos com informações alertando sobre os riscos e penas legais de fazer turismo sexual com envolvimento de menores de idade. A informação foi divulgada no Salão Mundial do Turismo, realizado em Paris no último dia 26 de março.

Os profissionais do setor descartaram adotar medidas mais radicais, como boicote de alguns destinos. Alguns deles, verdadeiros paraísos sexuais para pedófilos. O turismo sexual se estende como uma mancha de petróleo no oceano. Números da Organização Mundial do Trabalho revelam que a exploração sexual alcança cerca de 1 milhão de adolescentes e crianças no mundo todo.

Organizações Não-Governamentais (ONGs) denunciam que Brasil e Cuba estão se transformando em centros privilegiados do turismo do sexo com menores. Os dois países chegam a competir em números de visitantes com a Tailândia, Filipinas, Vietnã e Camboja. A ilha de Fidel,aliás, vem se notabilizando pela presença crescente de europeus.

Mas o leste do Velho Continente e a África também estão encontrando novos adeptos desse tipo de turismo. A ECPAT - sigla que corresponde ao nome em inglês da ONG Final da Prostituição e o Tráfico Infantil - denuncia que o comércio sexual lucrativo transforma milhares de menores em vítimas.

O relatório do CECRIA - Centro de Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes - afirma que 90% do turismo realizado por pessoas que saem de países do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul exploram sexualmente mulheres, crianças e adolescentes.

Desde a conferência de Estocolmo, organizada em agosto de 1996 pela ECPAT, as ONGs pressionam os poderes públicos e profissionais para adotarem medidas de erradicação desse crescente fenômeno.

No começo deste mês, o governo brasileiro lançou uma campanha contra a exploração sexual de menores. Veiculada em hotéis, vias públicas, praças, shoppings e praias do Rio de Janeiro e estados do Nordeste através de outdoors, folhetos, rádio e TV, a intenção é inibir o turismo sexual em território nacional. O mote principal da campanha - Turismo Sexual: o Brasil está de olho - chama a atenção para as penas possíveis. Quem quiser pode fazer denúncias pelo número de telefone 0880.990.500.


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