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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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O peso do saber nas costas Estudantes são obrigados a carregar quilos de material escolar em suas mochilas e acabam sofrendo da coluna A simples tarefa de ir à escola está se tornando um verdadeiro fardo na vida - ou melhor - nos ombros dos estudantes brasileiros. Listas de material cada vez maiores, mudança no currículo escolar e aumento na carga horária dos estudantes são os principais motivos do peso das mochilas dos alunos. Essa carga excessiva está preocupando tanto os pais dos alunos, que o assunto acaba de se tornar projeto de lei, da deputada estadual Luciana Santos. Para confirmar o excesso de peso da bagagem escolar, a diretora de operações do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Conceição Costa, foi a uma escola da cidade conferir as mochilas dos alunos a convite do DIÁRIO. "A bolsa da minha filha até parece que pesa 20 quilos. Acho que os colégios exageram na lista de material escolar e quem paga o pato são os pais que além de gastarem uma fortuna com a compra do material ainda têm que carregar essas mochilas que mais parecem de chumbo", reclama a aposentada Francisca Mazilo de Souza, mãe de uma estudante de 5ªsérie. BRINQUEDOS Mas além do material solicitado pelas as escolas, alguns estudantes ainda levam revistas, álbuns de figurinhas é até brinquedos para trocar e mostrar aos colegas. "Não acredito que as crianças usem esse material todo dia, mas também, se os pais não controlarem elas trazem a vida dentro das bolsas", avalia Francisca Souza. A filha dela, a estudante Nayara Melo de Souza, de 11 anos, está na 5ªsérie e já sente dores nas costas. "Toda vez que chego em casa e me espreguiço sinto o corpo doer", revela. Quando o estudante entra para o primeiro grau maior (da 5ªa 8ªsérie), o número de disciplinas praticamente dobra, e o risco de dores nas costas também. Com idades entre 11 e 16 anos, eles não suportam usar os carrinhos escolares, pois dizem que é coisa de criança. "Não tenho mais idade para carregar carrinho. Isso é coisa para menino do maternal que não pode com os livros", diz contundente, Vinícios Soares da Silva, de 10 anos. EXIGÊNCIAS O coordenador geral do Colégio Nóbrega, Francisco Ferreira Rocha, argumenta que a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação exige o aumento da permanência dos alunos nas escolas e uma mudança curricular. Para isso, foi preciso ampliar o número das disciplinas e as atividades dos estudantes. "Nós orientamos os alunos a só trazerem o material que será utilizado no dia. Mas esse esquema só funciona se os pais colaborarem, fazendo uma triagem na bolsa dos filhos", acredita o educador. Francisco Rocha diz que no colégio a maior parte dos alunos já estão adotando o uso do carrinho, que evita possíveis problemas de saúde. "Foi uma decisão espontânea dos pais, mas que tem total apoio da escola. E, se for preciso, poderemos discutir com os pais uma forma de estimular ainda mais o uso do carrinho escolar". A sugestão de instalar armários para os estudantes guardarem os livros no próprio colégio não é vista com muita simpatia pelo coordenador. "Acho que essa sugestão não iria funcionar porque os alunos precisam ter o material em casa para responder as tarefas", argumenta. CARRINHO A dona de casa Henriqueta Lupiza Freire Gomes, mãe da aluna da 3ªsérie, Mariana Freire Galvão, conta que comprou o carrinho para a filha colocar a mochila por pena. "Quando eu vi ela carregando uma bolsa enorme, cheia de livros, decidi comprar o carro escolar. Se não iria terminar sobrando pra mim". Mariana traz de tudo um pouco para a sala de aula. Duas agendas, figurinhas auto-colantes, revistinha e até brinquedos. Mesmo com a pouca idade, Mariana Galvão já estava começando a sentir dores nas costas, por causa do peso. "Antes de ter o carrinho as minhas costas doíam e eu ficava muito cansada. Mas agora posso trazer as minhas coisa e não dói nada", diz com um estojo enorme nas mãos. O coordenador revela que é difícil para a escola controlar o material que as crianças trazem para as salas de aula. "Não podemos impedir, principalmente os alunos do pré, trazerem pequenos brinquedos, álbum de figurinhas ou coleção de tampinhas", reconhece o coordenador. |
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