Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998

Doenças matam por falta de vacinação

Imunização dos adultos não é prioridade de autoridades sanitárias

uem acredita que só as crianças precisam de vacinas está muito enganado. Catapora, varíola, tétano e várias outras doenças têm que ser prevenidas durante toda a vida. Muita gente pensa que o assunto não merece atenção, mas os números comprovam que, embora esses males possam ser facilmente evitados, continuam fazendo milhões de vítimas. A hepatite B, por exemplo, mata mais que a Aids. Pelo menos dois em cada cinco habitantes do planeta (o equivalente a dois bilhões de pessoas) estão infectados com a doença.

O Organização Mundial da Saúde documenta que só a disponibilidade de vacinas altamente eficazes e com pequeno número de efeitos colaterais pode controlar essas enfermidades. Esse tipo de trabalho é realizado em mais de 32 países em todo o mundo. No Brasil, a vacinação de adultos não faz parte do calendário oficial do programa de imunização organizado pelo ministério da Saúde. Mas algumas campanhas são realizadas para evitar epidemias. Foi o caso do estado de São Paulo, onde a secretaria de Saúde distribuiu cerca de 700 mil doses da vacina contra a gripe para a população de idosos do estado.

Nos Estados Unidos o problema também é grave. Enquanto na população jovem a incidência de gripe é de 15 casos para cada 100 mil habitantes, nas pessoas de mais de 50 anos, essa taxa sobe para 50 por 100 mil, na terceira idade o número chega a 150. Naquele país, a gripe é responsável por no mínimo dez mil mortes por ano. "Não há dúvida de que o uso de vacinas é a melhor forma de evitar fatos lamentáveis como esse. É o que a OMS recomenda.", explicou o médico Adolfo Ribeiro, que trabalha em uma clínica especializada em infectologia.

As conseqüências da falta de prevenção podem ser trágicas. A hepatite B, por exemplo, não tem cura e pode causar câncer de fígado. O tétano, que também não tem nenhum medicamento específico, pode levar à morte em poucos dias. A rubéola em mulheres grávidas causa deficiência auditiva e visual, além de complicações na formação cardíaca do feto. Em 1997 foram registrados 1.064 casos de hepatiteviral no estado. Desses, 560 estão na Região Metropolitana do Recife e 342 no Sertão.

Todos esses males podem ser evitados com a vacinação, embora pouca gente se dê conta dessa importância. Adolfo Ribeiro explica que a falta de informação é o que mais conta para que a população não se previna. "Sei que o problema é de saúde pública, já que muitas dessas doenças poderiam ser praticamente erradicadas com uma campanha séria de vacinação, que atingisse as camadas mais pobres da nossa sociedade, mas o problemas não está só aí", argumentou o médico. "Até a classe média e média alta não sabem que precisam tomar vacinas", declarou.

A secretaria de Saúde do estado, oferece apenas alguns tipos de vacina gratuitamente. As de hepatite são aplicadas nos grupos de risco, profissionais que podem entrar em contato direto com sangue, como médicos, enfermeiros, bombeiros e policiais rodoviários. Os pacientes renais crônicos também recebem essa vacina, porque o risco de contaminação é elevado.

A vacina antitetânica é oferecida a crianças com mais de sete anos e mulheres grávidas ou em idade fértil. O atendimento, segundo informou Seal, é feito em qualquer das 1.200 unidades de atendimento do estado. Nos casos de hipersensibilidade, os pacientes são recebidos no Centro de Imunobiológicos especiais, que funciona nos dois expedientes, no hospital Oswaldo Cruz. "Cumprimos o calendário oficial do ministério da saúde", esclarece Carlos Seal, "ainda não podemos abranger todos os habitantes, fornecendo todas as vacinas", finalizou.


Doses são muito caras

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