Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998

Negro vive no limite da pobreza no Uruguai

MONTEVIDÉU - Noventa por cento dos 180 mil negros que residem no Uruguai - 5,76% da população total - vivem no limite da linha de pobreza, revelou um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a organização não governamental Mundo Afro.

De forma coincidente, uma análise do Departamento de Estado norte-americano sobre a situação dos direitos humanos no Uruguai durante o ano de 1997, revelou que somente 65 uruguaios negros completaram o Segundo Grau nesse ano e menos de 50 possuem título universitário.

AUSÊNCIA

"Os negros não estão praticamente representados nos setores políticos, burocráticos e acadêmicos da sociedade. Faltam-lhes as conexões políticas e sociais para ingressar nesses setores", destacou o relatório do governo dos Estados Unidos.

O informe de Washington também chamou a atenção das autoridades uruguaias, que em uma primeira instância negaram existência de discriminação contra os negros.

Entretanto, o ministro das Relações Exteriores uruguaio, Didier Opertti,anunciou que o Uruguai apresentará, este ano, um informe ao Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR), onde seriam inseridos dados obtidos em uma recente pesquisa familiar, numa resposta oficial aos Estados Unidos.

TRABALHO

Segundo a pesquisa do Pnud, 90% dos negros uruguaios trabalham no setor de serviços. Os homens são empregados principalmente como porteiros, garis ou soldados do Exército ou vivem no campo como peões (vaqueiros).

"Quantos políticos negros há? Quantas autoridades? Quantos empresários? Onde estão os negros? Só os vemos no Carnaval e no futebol, únicas áreas onde se destacam neste país", disse Romero Rodríguez, diretor da iorganização Mundo Afro.

A ampla maioria das mulheres (mais de 50%) trabalha como empregadas domésticas e um alto percentual exerce a prostituição, concluiu um estudo intitulada A Situação Social e Econômica da Mulher Afro-uruguaia, ainda não publicado, realizado também pelo Pnud e pela Mundo Afro.


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