Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998

Boris Yeltsin se mantém firme e age como um czar

Presidente russo está disposto a ficar mais alguns anos no poder

Bill Powell
Da Agência Newsweek

MOSCOU - Durante meses, Boris Yeltsin insinuou, timidamente, que já sabia qual a pessoa que gostaria que fosse seu sucessor no ano 2000, quando deverão ser realizadas eleições presidenciais na Rússia. Ele prometeu revelar sua escolha no momento oportuno.

Há duas semanas, quase todos na Rússia haviam chegado à conclusão óbvia: a pessoa que Yeltsin tinha em mente era Viktor Chernomyrdin, um homem intensamente leal a ele e seu primeiro-ministro há muito tempo.

Nos últimos três meses, Chernomyrdin projetou constantemente seu perfil político. A Imprensa russa, controlada pelos empresários que planejaram a eleição de Yeltsin em 1996, começou a bajulá-lo.

Chernomyrdin chegou até a participar de alguns programas ocasionais de TV, respondendo a perguntas de telespectadores - um passo notável para alguém que enfrenta um desafio tão carismático quando o do vice-presidente norte-americano Al Gore.

REAÇÃO

Havia começado claramente a campanha extraoficial do primeiro-ministro para o ano 2000 e ele parecia contar com o beneplácito do presidente. Mas Chernomyrdin deveria ter se informado melhor. Yeltsin jamais tolerou uma pessoa que estivesse de olho em seu posto.

Na segunda-feira passada, o presidente russo voltou ao Kremlin depois de mais uma semana de afastamento por motivo de doença e mostrou a todos que, independentemente de sua idade ou de seu estado de saúde, ainda está de posse do cargo - e que, se nada atrapalhar, poderá ainda ficar no poder pelos próximos anos.

DEMISSÕES

Afirmando estar cansado das disputas internas e da evidente incapacidade de seus assessores de resolver o marasmo econômico cada vez mais profundo do país, demitiu todo o Gabinete.

Chernomyrdin passou para a história, bem como o vice-primeiro-ministro Anatoly Chubais, que desde o início da era Yeltsin foi o símbolo totêmico do compromisso da Rússia com o capitalismo da propriedade privada e do mercado livre. Yeltsin agiu como um czar, emitindo um decreto de cima para baixo, inesperadamente.

Fora de um minúsculo círculo de assessores íntimos e influentes, liderado por sua filha Tatyana, ninguém previra isso. Depois de servir Yeltsin durante cinco anos e meio, Chernomyrdin só teve conhecimento da decisão do presidente trinta minutos antes do anúncio público feito pelo chefe.


Promessa aos EUA

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