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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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O pós-Clinton Nelson Motta "O senhor já traiu a sua mulher?" - vai ser a pergunta-base para todos os futuros candidatos a qualquer coisa nos Estados Unidos, depois dos escândalos sexuais de Bill Clinton. E milhares de detetives e advogados vão sair em campo. E milhões serão investidos em segredos e testemunhas. E todos os ventiladores serão ligados à espera da colheita. A vida dos adversários vai ser implacavelmente devassada em busca de pontos fracos para mortíferas campanhas negativas. Como faz o time de defensores de Clinton, revelando os podres de acusadoras e testemunhas, em devastadores contra-ataques. É a tática vitoriosa do momento e segura tendência no futuro próximo. O circo dos horrores eleitoral. A grande maioria dos americanos está farta de baixarias e acredita no que vê: que Clinton não tem muito caráter nem compostura, mas é ótimo como presidente e merece continuar. Certo? Talvez nem tanto: o que muitos americanos preferem é um Bill Clinton conhecido e eficiente, com todos os seus defeitos, aos que comandam aofensiva contra ele e trabalham pelo impeachment: o truculento Newt Gingrich, o xenófobo Pat Buchanan e a primitiva direita-cristã do pastor Jerry Fawell. Ninguém quer essa gente no poder, nem os republicanos. Mas eles são muitos e estão juntos, de dentes de fora, movidos a milhões de dólares e jogando gasolina no fogo. Não passarão, como se dizia antigamente. Enquanto isso, na África, Clinton comeu carne de crocodilo e zebra com molho de macaco. Para alguém com sua história e seu gosto, é café pequeno. |
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