|
|
| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
|
|
Violência juvenil preocupa o Japão Governo tenta achar uma solução para o problema Josué Benitz TÓQUIO - Não é somente nos países do terceiro mundo que a violência infanto-juvenil aumenta a cada dia. Nas nações ricas do Primeiro Mundo esse tipo de comportamento social também se tornou problemático e objeto de preocupação, não só das autoridades, mas igualmente de professores e pais. O Japão, país que lidera a lista de nações que registram baixíssimos índices de criminalidade, vê aumentar a violência entre os jovens de forma assustadora. E não é somente a violência de crianças e adolescentes na comunidade onde residem, mas igualmente nas ruas por onde andam e nas escolas onde estudam. No ano passado foram registrados 10.575 casos de agressões físicas nas escolas japonesas. É um número assustador para os padrões nipônicos. Desse total, pelo menos 49% se referem a ataques e brigas entre estudantes tanto da escola primária quanto da secundária. Também foram registrados mais casos de agressões de alunos contra professores. Os ataques de professores autoritários dirigidos aos alunos sofreram um decréscimo de 1% ficando em 105 registros. Em relação ao ano de 1996, houve um índice de violência 31,7% maior em 1997 acrescido da constatação de que, além de mais violentos, os alunos estão utilizando mais armas nas suas investidas agressivas. Os números da violência foram divulgados, em fevereiro, pelo Ministério da Educação do Japão (Mombusho). Segundo o ministério, as ações violentas não se restringem apenas às outras pessoas. Elas incluem, também, a destruição de carteiras e mesas nas salas de aula: pichação de paredes e quebra de espelhos nos banheiros, das persianas e portas; corte de cortinas com tesoura; quebra de lâmpada e até colocação de produtos do tipo durepox nas fechaduras das portas. O vandalismo contra estabelecimentos escolares e outros bens públicos cometido por alunos do primário e do secundário apresentou um aumento que ultrapassou os 41,3% comparado com 1996. Os registros de ataques contra estabelecimentos de ensino atingiram 2.171 ocorrências. Já os ataques de alunos dirigidos aos professores também cresceram em 48%, ou 1.316 casos, variando desde semiviolentos até violentíssimos ou hediondos. Os crimes escolares cometidos por duplas ou grupos de alunos caíram em 14,2% em relação a 1996, chegando a 51.544 casos. Recentemente, o primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto prometeu que seu governo se empenha em achar uma solução para diminuir a violência escolar no território nipônico. |
|