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| (Atualizado no dia 1/4/1998) |
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Internet em estado de choque Muito mais do que uma convergência entre mundos, emerge uma nova e sofisticada forma de mídia Silvio Lemos Meira A World Wide Web é o universo de informação disponível nas redes de computadores. A monumentalidade da Web tem duas razões fundamepertext Transfer Protocol), que pode transferir quase todos os formatos de documentos entre servidores e clientes, e as URLs (Universal Resource Locators), que endereçam qualquer tipo de documento, a partir de qualquer documento. Esta predisposição a tratar quase tudo que pode ser codificado digitalmente poderia ter levado a uma infinidade de tipos de documentos habitando a Web, mas uma espécie de seleção natural (Khare e Rifkin, na 7th WWW Conference, www7.conf. au), de ciclos muito rápidos, está limitando os formatos a alguns poucos, numa darwiniana sobrevivência dos mais aptos. HTML, uma linguagem simples para definição de documentos, isto é, para estabelecer o tipo, tamanho e cor das letras, criar ligações entre documentos, tabelas, posicionar figuras e apresentar formulários, entre outras poucas coisas, se tornou a língua franca para codificação de conteúdo na Web e, apesarde suas muitas limitações, especialmente no que tange à precisão e qualidade do documento que é apresentado no cliente, é um dos sobreviventes nesta evolução das espécies digital. Seu mais prová-vel sucedâneo (que a encapsula, também), é XML (Extended Markup Language, www.w3.org/ TR/WD-xml-lang. html), tira a Web da fase de definição da estrutura do texto para a definição da semântica dos seus componentes, permitindo o desenvolvimento descentralizado de padrões de documentos. Ainda não é a Web sapiens, mas a vida começa a vir para a terra firme. Mas a Web é mais que documentos (pós-)textuais estruturados. Áudio, vídeo, jogos, e jornais interativos, para começar. E, já que o Oscar acabou de passar, ci-nema. HTML, XML e assemelhados definem documentos básicos, que estão longe do que você vê no seu vídeo-cassette. Aí é que entram os formatos multimídia, como RealVideo (e Audio, em www.real. com), NetShow (www. microsoft. com) e Fred Siqueira. Você provavelmente nunca ouviu falar de Fred Siqueira. Até um tempo destes, nem eu. E até bem menos tempo, Fred não tinha a menor idéia do que era Shockwave. Mas imagine que, ao invés de home pages, como as que estão por aí, você quisesse fazer filmes. Ou, para simplificar, desenhos animados. Isso é o que é Shockwave: um modelo para disseminação de informação multimídia, animada, interativa e possivelmente composta de objetos sincronizados, através da Web. Olhando para a Web como uma ecologia em contínua evolução, pode até ser que Shockwave não tenha vida muito longa. Trata-se de um modelo proprietário (da Macromedia, www.macromedia.com), de aprendizado razoavelmente simples, associado a uma linguagem de programação, que deixa você fazer mi-sérias na sua home page. O ambiente de criação é vendido (no Brasil, começa em menos de R$ 300,00) e o de apresentação é um free download (inclusive da minha nova home page, www.di.ufpe .br/~srlm). Mas a minha aposta é que Shockwave vai tomar de assalto uma boa parte da Web. Vamos ver. E Fred Siqueira? Um dia, nós estávamos olhando a páginado Nagafuji Kanwa (em www.nagafuji.com), e chegamos à conclusão de que ele tem um dos Webs mais arretados da Internet, pela simplicidade e poder de demonstração. Depois de juntá-lo à Gabocorp (www.gabocorp.com... cujo dono é um garoto... vá ver), resolvemos que no mangue também deveria haver uma, tão ou mais interessante. Naquela altura dos acontecimentos, menos de dois meses atrás, Fred sabia chongas de Shockwave. Mas é um designer da pesada. E como Shockwave é só mais um meio, como aerografia ou Photoshop, levou pouco para Fred criar e implementar o Web que está em www.di.ufpe.br/~srlm. Fred é trainee designer do CESAR (www cesar.org.br) e fez o design e implementação da página em tempo parcial, enquanto aprendia Shockwave. Vale a pena ver o resultado. O resultado mostra que computação e mídia convergem numa velocidade cada vez maior. Titanic e Jurassic Park são exemplos de quasi-cyber movies, onde computadores assumem um sem número de papéis. Ainda mal, e não substituiriam Fernanda Montenegro em lugar algum. Mas são instrumentais em certos tipos de ação. E, no cinema, como nas home pages, não estão sobre o controle de analistas de sistema, ou programadores, mas de artistas. Deve ser lembrado que a Kodak não faz cinema e sim filmes. E que na Nikon não há nenhum Sebastião Salgado. Elas fazem parte da tecnologia que é usada na indústria da imagem. Na rede, no entanto, tais conceitos básicos (e a estética...) ainda não estão estabelecidos e as trash home pages abundam. Os designers e os artistas que trabalham na Web vão ter que aprender mais sobre programação. Não só isso, terão que entender mais do meio, seus protocolos e formatos dominantes de documentos. Afinal, não será o usuário quem vai escolher se sua página será feita em HTML 4.0, DHTML, SGML, e/ou XML mais Shockwave. Sobre a cabeça dos designers, cheia de idéias e pincéis, cai o mundo dos computadores. Sobre a dos engenheiros de computação, normalmente um bitscape, cai o mundo: como os programas feitos para uns poucos usuários agora são vistos, on-line,por milhões, as interfaces têm que ser refeitas para seres humanos normais. Que não querem ouvir falar de mensagens do tipo Error 404 Not found - file doesn't exist or is read protected [even tried multi] CERN httpd 3.0 que, hoje em dia, os servidores da Web nos mandam quando não têm uma página que queremos... Mais que uma convergência entre mundos - de designers, comunicadores e computeiros - emerge uma nova e sofisticada forma de mídia. Hora destas as figuras vão sair do Web-jornal e, em 3D, chamar a gente pelo nome e perguntar porque não compramos aquela geladeira, à prestação, a juros de 150% por ano... Se tiverem memória, então, vai ser um Deus-nos-acuda: jornal velho, vivo... digital, já pensaram? Ao invés da propaganda subliminar do passado, intervenções contra a qual teríamos que ter uma liminar se não quiséssemos ver, ouvir e, quem sabe, sentir. Enquanto isso não acontece, a atração, nesta SEXTA, 3 de abril, antes do rock, às 16:00h, no Departamento de Informática da UFPE, será Fred Siqueira mostrando como foi o processo de criação, design e implementação da nova www.di.ufpe.br/~srlm. Grátis. Oportunidade única. Promoção do CESAR e patrocínio da Computer 1. Silvio Lemos Meira, 43, http:// www.di.ufpe.br/~srlm, é Professor Titular do Departamento de Informática da UFPE. |
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