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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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Nike amarga prejuízos com crise Problemas na Ásia causaram uma queda de 17% nas vendas da fabricante de tênis nos últimos meses NOVA IORQUE - Phil Knight não fala em público muito freqüentemente. E, nos últimos tempos, não tem soado muito feliz. Falando a analistas de Wall Street na sede de sua empresa, em Oregon, na semana passada, o fundador e presidente da Nike não mediu suas palavras: "É uma época sombria para estes corredores". Os problemas de Knight preocupariam qualquer administrador: um preço de ações que caiu de US$ 70,00 para US$ 40,00, uma queda nos lucros e depósitos cheios de tênis que não vendem. A batalha da Nike com críticos de suas políticas de trabalho na Ásia, que já dura dois anos, está esquentando de novo: o cineasta Michael Moore retrata a Nike em seu novo filme e, num evento planejado pela Nike, mas que certamente gerará imagens não muito lisonjeiras, o famoso porta-voz da companhia, Michael Jordan, planeja visitar as fábricas do extremo Oriente nesta primavera. CRISE DA ÁSIA A região é fonte de mais encrencas: a crise econômica asiática causou uma queda de 17% nas vendas nos últimos meses. Mas o maiorproblema é uma guerra de preços que fez desabar as vendas nos Estados Unidos e é um sinal de que a imagem da Nike como campeã do "cool" pode estar enfraquecendo. Apesar da Nike orgulhar-se de suas inovações técnicas, perder seu status de "cool" pode ser equivalente a perder o jogo. A semana passada foi particularmente lúgubre na sede da Nike, nos subúrbios de Portland. Gerentes haviam avisado sobre a possibilidade de demissões, mas não haviam revelado nenhum nome. Na quarta-feira, 250 funcionários tiveram que empacotar suas coisas, sob os olhares espantados de seus colegas. Na maioria das empresas, uma cena como esta, apesar de dolorosa, não seria desastrosa. Mas para Knight e seus empregados, até mesmo um contratempo significa a agonia da derrota. Depois de competir duramente com a Reebok nos anos 80, a Nike cresceu tanto e tão rápido quanto é possível para uma empresa. Adotou uma nova religião de consciência de marca e quebrou as barreiras do som da publicidade com seu inesquecível swoosh, seu slogan Just Do It e figuras idolatradas do esporte. A Nike superou o obstáculo mais intransponível do marketing: ser tão anti-establishment quanto popular, com US$ 9,2 bilhões em vendas no ano passado. SEM FALAR Mas a Nike se vê como parte de uma missão maior. Knight, 60, não quis ser entrevistado para esta matéria. Mas ele já falou muito sobre o esporte como uma força em nome do bem, e da Nike - cujo nome foi inspirado numa deusa grega - como uma força por trás desse bem. "A swooshificação do mundo deveria (ser na verdade) a esportificação do mundo", disse no ano passado. "Ficaremos mais maduros com a inexóravel penetração dos esportes na psique global". A idéia de destino é manifesta no campus da Nike. Construído em 1990, ele combina o estilo utópico do noroeste (um pântano, completo com grandes garças azuis) com o sabor frenético e entusiasmado de uma universidade de elite no último dia letivo. Funcionários com roupas esportivas bebendo Powerade estão por toda a parte na pista de corrida, em refeitórios noestilo sports-bar e em edifícios com o nome de estrelas (o McEnroe, o Benoit). |
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