Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998

Aposentadoria precoce

Pressionados pelo estigma da ineficiência e desperdício dos recursos públicos, milhares de servidores públicos do país não suportaram a ameaça que a reforma na previdência significa. Com medo de perder direitos, correram para conseguir a aposentadoria, mesmo que proporcional. Hoje, o governo federal mantém na ativa praticamente um funcionário para cada servidor inativo. Em 96, no último balanço feito pelo Ministério da Administração, a União mantinha 563,7 mil funcionários em atividade e 552 mil inativos e pensionistas.

"Estamos passando por um momento jamais visto. O serviço público já representou a esperança de tranqüilidade e segurança. Isso acabou", diz a presidente do sindicato dos servidores federais em Pernambuco, Ana Paula Pontes. E ela usa um exemplo doméstico para provar o desequilíbrio na administração pública causado pelos ajustes e reformas nacionais. "Temos hoje 15 mil trabalhadores filiados na ativa. E já há a mesma quantidade inativa."

Na opinião de Pontes, o país tem perdido excelentestécnicos por causa da pressão sobre sobre a atividade pública. O que, para ela, significa tornar mais precário os serviços prestados nos estados, municípios e União. Principalmente porque os servidores que permanecem, segundo ela, continuam sem uma contar com uma política de recursos humanos. "O funcionalismo não está apenas sem receber aumentos (em nível federal), mas não passam por qualquer reciclagem ou programa de capacitação", lamenta Ana Paula Pontes.

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