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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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Agreste lucra com Paixão de Cristo de Fazenda Nova Espetáculo levará aos municípios da região mais de 70 mil pessoas Erilene Araújo BREJO DA MADRE DE DEUS - Mais de 70 mil pessoas deverão visitar Brejo da Madre de Deus durante os dez dias de espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Entretanto, o município distante 180 quilômetros do Recife, não é o único beneficiado com o incremento do turismo. As cidades compreendidas no chamado corredor do Agreste - Bezerros, Gravatá e Caruaru - também vão poder comemorar grandes lucros até o próximo dia 12, último dia de evento. Afinal, este é o melhor período para o Agreste depois do São João. A expectativa é que sejam movimentados durante a Semana Santa mais de R$ 5 milhões só em torno do evento. Os moradores do Agreste têm muito o que comemorar. Cada visitante deve deixar cerca de R$ 70,00 em um dia de espetáculo. Quem se hospeda em hotel, gasta um pouco mais, em torno de R$ 140,00. De acordo com o presidente do Sindicato das Agências de Turismo (Sindetur), Marcílio Lopes, a ocupação hoteleira deve chegar a 100% nos hotéis de Caruaru, Gravatá e Fazenda Nova. Na Região Metropolitana do Recife, o resultado não vai ser muito diferente: 80% dos vinte mil leitos deverão ser ocupados. O mercado da Paixão de Cristo cresce, anualmente, em torno de 25%. Vêm pessoas de todo o Nordeste, em especial da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Este ano, 40 agências estão vendendo o destino Fazenda Nova. "Este é o principal pacote de receptivo que está sendo negociado no período", ressalta Marcílio. Mas os lucros não ficam apenas nas mãos das agências e donos de hotéis. Todos os guias de turismo da cidade estão com trabalho garantido para a Semana Santa. Também foram contratados dezenas de motoristas para dar conta do serviço no período. "As contratações de motoristas emperraram porque não tem mais ônibus disponível para aluguel no Grande Recife, Paraíba e Rio Grande do Norte", declarou Marcílio. José Hildemar Pereira da Silva, 41 anos, deixou Belo Jardim na última quinta-feira para botar um comércio improvisado na praça de Fazenda Nova, distrito onde está encenada a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Até 12 de abril, último dia de espetáculo, ele pretende vender dez caixas de cerveja, dez caixas de refrigerante e muita comida regional. Se vai ter lucro, Nildinho do Bar, como é conhecido em Belo Jardim, não sabe. O resultado é imprevisível. No ano passado choveu muito na Semana Santa e ninguém parou nas barracas para tomar uma cervejinha. "Depois que tirar todas as despesas, não sei o que vai sobrar", comenta. Assim como Hildemar, mais de 300 pequenos comerciantes de diversos municípios de Pernambuco estão se alojando em Fazenda Nova. Eles vêm atrás de novas oportunidades de negócio nos arredores do maior teatro ao ar livre do mundo e que, nesta época, recebe cerca de 70 mil visitantes. Numa cidade onde cerca de 30% da população, estimada em 36 mil habitantes, está desempregada,pouco mais de 2,5 mil trabalhos temporários deverão ser gerados. Só empregos diretos e indiretos dentro do teatro somam, aproximadamente, dois mil. Os funcionários temporários trabalham na cozinha, faxina, serviços gerais, segurança, iluminação, o melhor, atuam como figurantes. Além do salário, em torno de R$ 214,00, a grande maioria almoça de graça, quando chega para o ensaio ou espetáculo, e faz um lanche à noite, quando termina o expediente. |
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