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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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Grandes lances PANORAMA ECONÔMICO A OPP Petroquímica e a Dow se acertaram para disputar a Conepar. A Odebrecht, dona da OPP, foi ao BNDES discutir uma reestruturação. A Usinor apresentou sua proposta para a compra de 33% das ações da Acesita. Se aceitar, a Previ, maior acionista da Acesita, vai desagradar outra empresa da qual é sócia, a CSN, que também quer a empresa mineira. Intenso o movimento de reorganização empresarial nos últimos dias. Tudo está em movimento no setor privado, pelo menos em dois dos setores básicos: aço e petroquímica. Foi uma semana cheia de decisões e emoções. Na sexta-feira, a Odebrecht foi ao BNDES conversar sobre suas dívidas. Deve uma montanha de R$ 700 milhões. O banco sugeriu uma reorganização industrial que passe pela concentração das dívidas das empresas do grupo, na holding. Isto limpa as empresas de um passivo que produz uma redução geral dos resultados. A Odebrecht, como se sabe, tentou nos últimos meses convencer governo e empresas do setor de que a melhor saída era a formação de uma grande petroquímica. Não deu certo. Agora acabou de fechar um acordo com a Dow Química. Ela temia que a Dow comprasse a Conepar - que era de Angelo Calmon de Sá - e que dará o controle da Norquisa e da Copene. No final da sexta-feira, as duas empresas fecharam um acordo para entrar no leilão juntas. Na reestruturação da siderurgia, os últimos dias foram também de muito movimento. Vieram ao Brasil os franceses da Usinor fazer uma proposta concreta. Eles trarão nada menos que US$ 620 milhões que vão diretamente reduzir o endividamento da empresa. A Acesita é um ótimo grupo, com um enorme endividamento. Deve US$ 1.8 bilhão. Isto lhe custa US$ 1 milhão por dia, US$ 360 milhões por ano. Precisa portanto desesperadamente de redução deste custo. Os franceses também aceitam ficar minoritários na empresa, deixando a maioria do capital com os fundos de pensão liderados pela Previ. Os alemães da Krupp-Thyssen também estão na disputa. A CSN é o terceiro interessado, mas ainda não fez qualquer proposta concreta. O bom da entrada do capital estrangeiro é não só a vinda de dinheiro de fora e de tecnologias novas. Tem a vantagem adicional de consolidar a Acesita como um grupo independente e portanto aumentar a competição no setor siderúrgico no Brasil. A Acesita é uma das donas da CST, um ativo muito disputado. Tem também uma grande parcela do capital da Villares. Com toda a condição portanto de se transformar no terceiro grupo independente, além da CSN e da Usiminas. A maior acionista da Acesita é a Previ, que decidiu contratar um adviser para arrumar sua caótica participação em várias empresas siderúrgicas. Só a contratação deste adviser levou meses de discussão nos fundos de pensão. Oito grupos começaram a disputa. No final ficaram duas propostas. Uma parte da diretoria queria um, a outra preferia outro. Sexta-feira eles optaram por uma solução salomônica: os dois venceram e, assim, Chase e Santander vão dividir o trabalho. Só que eles têm visões diferentes. Fica-se em dúvida sobre o que sairá desta mistura. Mas uma coisa já se sabe:a Acesita não pode ficar esperando muito tempo pela solução com a sangria financeira que enfrenta. Há outro complicador adicional. O Santander já divulgou para os seus clientes estrangeiros, num boletim do dia 14 de novembro, o que imagina ser a melhor solução: acha que não tem saída para a Acesita sozinha e é preciso consolidar a CST na CSN. Portanto, pelo menos um dos consultores já avisou aos clientes o que vai sugerir e isto significa dizer não para as propostas dos estrangeiros. A dúvida na siderurgia é, de novo, entre concentração ou competição. Fundindo-se a CSN com a Acesita, o aço vai ter duas empresas no Brasil: um duopólio. A Previ também tem participação na CSN, mas de uma forma que a prejudica: dos 15% de ações que tem na siderúrgica, apenas 2% estão no bloco de controle. Ou seja, a Previ tem a mesma participação de Benjamim Steinbruch, mas vota como se tivesse 2%. Na Usiminas, a Previ não tem poder algum: está fora do bloco de controle. Está evidente que é preciso rearrumar isto, mas de queforma? Concentrando mais, ou permitindo a entrada de novos sócios estrangeiros? O que há de comum entre aço e petroquímica é que em ambos aparecem propostas de concentrar mais para tirar a competição. E em ambos está se arrumando agora as confusões criadas no processo de privatização. A Odebrecht deve o que deve, porque se endividou para comprar empresas estatais. Agora sonhava com uma fusão que diluiria seu passivo. Não deu. Ela terá que fazer agora seu dever de casa. Pluripartidarismo No mês que vem os 118 mil associados da Previ vão eleger no voto 13 representantes para os conselhos, inclusive um diretor executivo. A chapa única do sindicato, historicamente a favorita, rachou e se dividiu entre moderados, radicais e pragmáticos. E quem não quiser votar nos tradicionais, poderá escolher entre duas chapas mais independentes. Casa cheia Está lotado o seminário sobre energia que a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos organiza nessa semana, em Houston, Texas. O assunto é um só: as novas regras do petróleo no Brasil. Na platéia, cerca de 400 pequenas e médias empresas americanas, hoje fundamentais para lubrificar os negócios dos gigantes do setor. OS interessados em comprar empresas do grupo Telebrás não vão apenas visitar o data room. Vão também, se quiserem, às instalações da empresa. ANDRÉ Lara Resende sugeriu que o ministro da Previdência fosse o economista Rogério Werneck. Teria sido excelente escolha. |
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