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| Recife, Domingo, 5 de Abril de 1998 |
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A disputa nos estados É complexo o quadro das eleições majoritárias em muitos dos principais estados do país, levando-se em conta os interesses do presidente Fernando Henrique Cardoso e seu plano político de reeleição. Em São Paulo, o favorito nas pesquisas é o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), de quem o Planalto precisa do apoio. Mas Mário Covas (PSDB) decidiu se reeleger e o presidente não pode desprezar o colega tucano, que é um dos politicos mais respeitados e de maior expressão do PSDB. No Rio, Anthony Garotinho (PDT) ainda não conseguiu consolidar a aliança com o PT, mas garante firme oposição ao Planalto, sob as bençãos de Leonel Brizola. Na Bahia, Luiz Eduardo Magalhães (PFL) reina absoluto num cenário onde a oposição não consegue articular candidatura alguma, nem em torno da histórica figura de Waldir Pires (PT). No Paraná, Jaime Lerner (PFL), que costuma fazer seus sucessores, sucederá a si mesmo desta vez, se continuar favorito contra o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) e seu arquiinimigo Roberto Requião (PMDB). No Ceará,Tasso Jereissati está em boa situação para fazer seu sucessor. O quadro nacional é cheio de altos e baixos para Fernando Henrique e o presidente tem costurado com atenção os palanques regionais. Minas Gerais Há duas candidaturas certas para disputar o governo mineiro: a do atual governador Eduardo Azeredo ((PSDB), e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias (PT). A senadora Júnia Marise (PDT) desistiu de disputar o governo. Será candidata à reeleição no Senador. O prefeito de Contagem, Newton Cardoso (PMDB), saiu cargo esta semana para disputar a eleição. Outros que ainda podem entrar na disputa estão mais mineiro do que nunca. É o caso do ex-presidente Itamar Franco, que aparece nas pesquisas empatados com Azeredo, mas não se decidiu; do ex-governador Hélio Garcia (PTB) que ainda não se definiu se disputará o governo ou o Senado. Rio Grande do Sul A guerra de 1994 vai se repetir no Rio Grande do Sul, com alguns fatos novos para sacudir o coração do eleitor. De um lado do ringue, estará o petistaOlívio Dutra, o ex-prefeito de Porto Alegre; de outro, o peemedebista Antônio Britto, que passou sufoco para vencê-lo na última peleja. A diferença foi de 5% dos votos. Agora, Britto fechou acordo com o PPB, forte no interior, e deverá se reaproximar do PSDB, que anda magoado com a perda da vaga de vice. O governador já tem a seu lado o PTB e o PFL. Olívio, por sua vez, terá Leonel Brizola em seu palanque, um aliado forte nas urnas, principalmente, no interior. São Paulo Maior colégio eleitoral do país, São Paulo, será um dos estados com mais candidatos ao governo. O governador Mário Covas (PSDB) permanece no cargo e tentará mais um mandato. Covas é a arma do PSDB para enfrentar outro aliado do presidente Fernando Henrique Cardoso: o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), que parte para disputa como favorito ao lado do PFL, que deverá indicar o senador Romeu Tuma (PFL-SP) para vice-governador. O PDT e o PT também seguem separados: a deputada Marta Suplicy (PT-SP) é a candidata do PT, enquanto o ex-prefeito de Osasco, Francisco Rossi (PDT) é candidato a disputa voto a voto com Mário Covas. Rio de Janeiro A eleição no Rio promete ser um ensaio para 2002, com uma distribuição de partidos e candidatos semelhantes àquela que os partidos já trabalham para a sucessão presidencial. De um lado, tucanos e peemedebistas trabalham pela reeleição do governador Marcelo Alencar. De outro, o ex-prefeito do Rio, César Maia (PFL), começa a costurar uma aliança com o PPB do ex-ministro Francisco Dornelles, candidato a deputado federal. Enquanto os aliados a Fernando Henrique estão divididos em duas candidaturas, o PDT lança Anthony Garotinho, favorito nas pesquisas, e continua em busca da aliança com o PT da senadora Benedita da Silva. Paraná Nova queda de braço entre os três grandes grupos políticos que têm movimentado as eleições no Paraná nos últimos anos. O mais forte destes agrupamentos é liderado pelo atual governador, Jaime Lerner (PFL), o franco favorito para a disputa eleitoral de 4 de outubro. Lerner deverá ter como adversários o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) e, possivelmente, o senador e também ex-governador Roberto Requião (PMDB), que pode vir a contar com o apoio do PT e do PDT. Lerner tem a preferência de Fernando Henrique Cardoso, mas o presidente não conseguiu convencer Álvaro Dias a abdicar da corrida pelo governo e aliar-se ao PFL. Bahia Até o momento, o líder do governo na Câmara, Luiz Eduardo Magalhães (PFL) corre sozinho na disputa, com o apoio do PPB e do PMDB. Ao ser lançado há duas semanas pelo pai, o poderoso senador Antônio Carlos Magalhães, para concorrer ao governo baiano, Luís Eduardo acabou forçando o atual titular do cargo, Paulo Souto, a disputar uma vaga ao Senado. Na oposição, o PT e o PDT ainda não decidiram quem enfrentará Luís Eduardo. Os nomes mais cotados são de dois ex-governadores João Durval (PDT) e Beto Lelis (PSB). Correndo por fora, o PSDB ameaça lançar um terceiro candidato, o ex-deputado federal Marcelo Cordeiro. Ceará O governador Tasso Jereissati continua no cargo. Apesar de não ter decidido, no Ceará, as apostas são de que Tasso irá concorrer à reeleição. Nesse cenário, é o grande favorito. Tem até o apoio do PPS de Ciro Gomes. No momento, o PMDB, do deputado Paes de Andrade, não encontrou um nome à altura para enfrentar o candidato tucano. O mais cotado é o deputado e ex-governador Gonzaga Motta, que diz que não irá para o sacrifício. Mas dentro do próprio PMDB já há quem defenda a coligação com Tasso. Os partidos de esquerda também devem lançar um candidato para enfrentar o favoritismo tucano, mas até agora não encontraram nenhum nome de expressão que se dispusesse a concorrer. Santa Catarina Depois de longos anos de rompimento, o PPB de Espiridião Amim - candidato favorito ao governo do estado - e o PFL de Jorge Bornhausem voltam a se unir para uma disputa eleitoral. Essa desunião acabou fortalecendo a candidatura do peemedebista Paulo Afonso, eleito governador em 1994. Afonso, porém, quase não conseguiu governar: PFL e PPB descobriram fraudes na emissão de títulos públicose sitiaram o governador. Paulo Afonso ainda sonha em disputar a reeleição e deve entrar na disputa, apesar do desgaste político. |
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