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| Recife, Domingo, 29 de Março de 1998 |
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Jovens estão mal informados sobre Aids Pesquisa revela que brasileiros sabem pouco sobre contágio SÃO PAULO - Cerca de 45% dos jovens brasileiros acreditam que picada de mosquito pode transmitir o vírus da Aids. Outros 48% acham que há algum risco de contaminação pelo HIV quando se usa um banheiro público. E 46% temem que nadar em piscina pública pode levar uma pessoa a pegar Aids. Os resultados aparecem em pesquisa feita pelo Ministério da Saúde com 23 mil jovens de 18 anos, de todas as regiões do país. Os entrevistados foram escolhidos entre os 750 mil rapazes que se alistaram nas Forças Armadas em 1996. A desinformação observada na pesquisa não aumenta os riscos de contaminação. Mas os mitos e as falsas crenças podem aumentar o preconceito dos jovens com relação às vítimas da doença. "Um jovem que acredita que o mosquito pode transmitir o HIV vai agir de forma preconceituosa com seu vizinho que está com Aids", diz Pedro Chequer, coordenador do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde. DISCRIMINAÇÃO Da mesma forma, quem crê que há risco de contágio em banheiro público vai discriminar um colega de trabalho que tem o HIV e que usa o sanitário da empresa. A pesquisa partiu de uma pergunta chave: "Qual é o risco de se pegar o vírus da Aids através de qualquer uma das seguintes alternativas?" Em seguida, foram listadas dez situações: apertar as mãos de alguém que tem Aids; brincar com uma criança que tem Aids; beijar o rosto de uma pessoa com Aids; picada de mosquito; uso de banheiro público; uso de piscina pública; ser atendido em consultório onde pessoas com Aids são atendidas; uso de drogas por injeção individual; uso de seringa ou agulha usada por outras pessoas sem esterilização; e doação de sangue. Mais de 65% dos entrevistados disseram que há algum risco em se doar sangue; 28,3% afirmaram que a doação significa um alto risco de contágio. CRENÇAS Crenças como essa - observa Chequer - podem dificultar a coleta de sangue no país. Os mitos e a desinformação são ainda maiores entre os jovens da região Norte, das zonas rurais e com baixa escolaridade. Os 23 mil entrevistados também foram submetidos a exames de sangue. Do total, 0,6% tinham sífilis, porcentagem considerada normal numa população sexualmente ativa. Os testes anti-HIV vão ser divulgados dentro de um mês. A pesquisa levou o Programa Nacional de Aids a desenvolver trabalhos de prevenção voltados para os jovens em época de alistamento e para os cerca de 80 mil recrutas das Forças Armadas. No ano passado, foi lançada a campanha Aids na Mira, com 500 mil cópias de um jornal. Oficiais do Exército estão sendo treinados para informar os jovens. E 14 milhões de preservativos estão sendo distribuídos entre os recrutas. População indígena SÃO PAULO - As autoridades sanitárias estão preocupadas com a epidemia de aids entre populações indígenas. O Ministério da Saúde tem realizado reuniões periódicas para avaliar o problema. Na última delas, que terminou sexta-feira, em Porto Seguro, na Bahia, foram estudados programas de prevenção que se adaptem às diferentes culturas indígenas. Uma cartilha sobre cuidados com doenças sexualmente transmissíveis começou a ser preparada por técnicos do governo e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ela deverá ter uma versão na língua guarani. De acordo com números divulgados pela coordenação do Programa Nacional de Aids, já foram registrados 25 casos da doença entre índios. Não é uma taxa de incidência alta, em comparação com outros grupos populacionais e diante do contigente indígena, estimado em 326 mil pessoas. O que mais preocupa os especialistas é a vulnerabilidade das comunidades. "Alguns grupos estão expostos a intensos contatos com os brancos, por causa da proximidade de suas reservas com regiões de garimpo e de grandes obras de construção", disse a médica Cristina Pimenta, chefe da unidade de prevenção do programa governamental. "Historicamente, nessas ocasiões ocorre o aumento da prostituição e da incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre os povos indígenas." Outro fator preocupante é a mobilidade. A médica Cristina lembrou o caso de um grupo do Maranhão, cujos integrantes costumam locomover-se entre a aldeia de origem e uma favela na periferia de São Paulo. "Ao sair em busca de trabalho, tornam-se mais vulneráveis à infecção pelo vírus HIV". |
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