(Atualizado no dia 26/3/1998)

Motor novo e preço velho

Subaru Impreza tem poucas alterações na carroceria e boa dirigibilidade

Há três anos, quando foi testado pela primeira vez, o sedan Subaru Impreza GL destacou-se em três itens: mostrou eficiência em qualquer tipo de piso, era o único no segmento com tração permanente nas quatro rodas e tinha excelente dirigibilidade. A versão atual desse modelo japonês continua com as mesmas qualidades, mas a Subaru substituiu o motor 1.8 pelo 2.0 (agora com 115 cv) para dar mais desempenho ao modelo e ainda manteve o preço em US$ 29,2 mil. Mudou o carro e a representação da marca no Brasil, que pertence ao grupo Caoa.

A carroceria dessa nova geração recebeu alterações tão sensíveis que as duas versões se confundem, especialmente se forem olhadas por trás. A diferença ocorreu na parte frontal. O capô do motor, agora mais baixo, ganhou dois vincos que nascem discretos próximo do pára-brisa e terminam na extremidade da grade dianteira. A própria grade, que antes era coberta com uma placa de metal pintada na mesma cor do carro, agora é de plástico com desenho entrelaçado. Além disso, o espóiler dianteiro está com desenho mais agressivo, deixando mais evidente uma grande tomada de ar sob a placa.

Embora sutil, os retoques deram melhor definição de traços ao design e enriqueceram o estilo, sempre o ponto fraco do veículo. O carro agora tem mais personalidade. De resto, da coluna da frente até a fechadura do porta-malas, o Impreza é exatamente o mesmo carro de antes. O mesmo acontece no interior da cabine. O nível de acabamento e a composição do quadro de instrumentos também são idênticos aos do carro antigo. O painel oferece um grande contagiros, à esquerda, e velocímetro até 220 km/h na direita, além dos indicadores convencionais.

O salto de potência de 103 cv do motor 1.8 para 115 cv do 2.0 fez muito bem ao desempenho do modelo. As acelerações ficaram mais rápidas, mas foi nas retomadas que aconteceu o maior ganho. Para chegar aos 100 km/h, o Impreza 1.8 4x4 leva 11s1; com o motor 2.0 o Impreza GL precisa de 10s3. É bom salientar que, por causa da tração 4x4 permanente, os dois modelos arrancam sem perder tempo com pneus patinando no asfalto. As trocas de marcha do modelo novo estão mais precisas e rápidas.

Para recuperar de 40 a 100 km/h, o modelo antigo leva demorados 29 s. O atual, cujo motor tem maior torque (17,6 mkgf a 4 mil rpm), economizou 10 segundos, cumprindo a prova em 19s47. Os 12 cv a mais de potência renderam 19 km/h na velocidade máxima, que saltou de 170 km/h para 189,1 km/h. Com o ar ligado a perda de rendimento é relativamente pequena.

O maior benefício da tração 4x4 permanente é sentido principalmente em piso molhado. No seco, quando chega ao limite de aderência, o carro tende a escapar de frente, ficando com 0,81 g na prova de aceleração lateral. Na prova de frenagem, o conjunto disco-tambor conferiu desempenho razoável, parando o Impreza em 28,65 metros numa freada a 80 km/h. Economia de combustível contínua não sendo o forte do modelo. Penso 1.180 kg ele faz 10,26 km/1 na cidade e 13,20 km/l na estrada.

Se o desempenho melhorou com o novo motor, a dirigibilidade também está bem mais agradável. Como a frente do carro é baixa, possível por causa do tipo de construção do motor (boxer, com cilindros opostos dois a dois), a posição de dirigir privilegia a visão do motorista. Para chegar à regulagem fina, o banco pode ser ajustado em altura através de alavancas que reduzem bastante o esforço físico. Os comandos, especialmente os de acionamento dos vidros, colocados nas laterais das portas, são bem ergonômicos. Já os controles do rádio são ruins. Além de distantes, são minúsculos, o que dificulta o uso.

GRUPO CAOA

A S. Motors, representante da japonesa Subaru, tem novo dono. O grupo Vicunha vendeu por US$ 43 milhões o controle da empresa para o grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Ele passará a controlar a rede de 24 revendas da montadora e ainda irá transformar suas doze antigas lojas da Renault em concessionárias da marca japonesa.

O grupo Caoa, que possui doze concessionárias Ford no Brasil, Espanha e Argentina, foi o responsável pela introdução e vendas da Renault no Brasil, até a criação de uma filial da marca francesa. Descredenciado há pouco mais de um ano pela Renault, ele ainda briga na Justiça por indenização.

Conhecido no mercado pela sua política agressiva de vendas, o grupo Caoa pretende dobrar neste ano o volume de importações da Subaru, que no ano passado foi de 1,5 mil unidades. O novo representante promete novidades para a linha 98, que atualmente conta com os modelos Impreza, Legacy, Outback e Forester. A instalação de uma fábrica no Brasil só ocorrerá se a marca atingir um volume de vendas de dez mil unidades.


Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER