Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Estudante é preso por agredir policial militar

O estudante de classe média Carlo Bruno Biondi de Almeida, 20, foi parar na delegacia de Tejipió, depois de agredir dois policiais do Batalhão da Polícia de Trânsito (Bptran) e o frentista de um posto de gasolina, que tentaram impedí-lo de dirigir embriagado. Carlo foi autuado em flagrante por desacato e também será processado por resistência à prisão, desobediência e lesão corporal. Após a família pagar a fiança de R$ 150,00 o rapaz foi liberado, por volta das 13h. A embriaguez ficou comprovada no teste do bafômetro, realizado na delegacia, e no teste clínico do Instituto Médico Legal (IML).

O soldado Alci Severino da Silva, 23, levou um murro do rapaz e ficou com lesões na boca, no maxilar e uma hemorragia no nariz. Após deixá-lo na delegacia, às 7h25, Silva realizou um exame de corpo delito no IML e foi medicado no hospital da Polícia Militar. Os outros agredidos, o policial Davi Alves da Luz e o frentista Carlos Roberto Félix Soares não sofreram lesões. "Ele estava tão bêbado que nem me acertou direito", contou Soares.

Carlo também foi multado pelo Bptran. Vai pagar R$ 865,00 por dirigir embriagado, R$ 77,00 porque seu veículo - uma Blazer preta (KMA-8899) -estava equipado com um extintor de incêndio vazio. Ele também teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recolhida. "Pode ficar de um mês a um ano sem a CNH. Quem decide é o diretor geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PE)", explicou o capitão Enéas Cantarelli, subcomandante do Bptran.

O rapaz não foi enquadrado no crime de trânsito - previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para motoristas flagrados em estado de embriaguez. "As testemunhas informaram que ele não dirigiu embriagado", justificou a delegada Anete Marques, de Tejipió. "Quero saber como ele chegou ao bar", questionou Cantarelli.

A polícia foi avisada de que o rapaz queria dirigir bêbado pela dona do bar Toca do Barão, Maria das Graças Azevedo Cunha. O bar fica na avenida Recife, Estância, no posto de gasolina Belo Horizonte. "Chamei a polícia porque estava muito preocupada com o garoto", lembrou. Segundo Maria das Graças, Carlo chegou ao bar por volta das 5h, pediu um quarto de aguardente e um refrigerante, "ele não conseguiu nem beber tudo. Já estava muito embriagado. Só fazia me abraçar, me chamando de vó Manoela, e dizer que estava com problemas", narrou. Nenhuma das avós de Carlo se chama Manoela.

A primeira tentativa de agressão foi contra o frentista do posto. Um policial já estava no local e pediu reforço. Ao todo, três viaturas e nove policiais foram para o posto. O soldado Silva contou que foi esmurrado enquanto esperava Carlo ligar para a casa para chamar alguém e buscá-lo. "Eu tentei fazer a ligação e não consegui. Devolvi o celular a ele e fiquei esperando. Depois só senti o murro", explicou.

Carlo mora em Apipucos, terminou o terceiro ano científico em 97, no Colégio Boa Viagem e está fazendo curso pré-vestibular. Segundo seu primo, que o acompanhou na delegacia e pediu para não ser identificado, ele, em dezembro, se envolveu em um acidente de trânsito devido ao excesso de álcool. "Fez até uma promessa de parar de beber. Voltou ontem", observou.

A família do rapaz não permitiu que ele falasse à Imprensa. "Não há nada para ser dito", repetia Marcelo Caminha, pai de Carlo. O advogado da família, Donizete Oliveira, afirmou que o rapaz sairia da delegacia direto para uma clínica. "Ele é psico-maníaco-depressivo", disse.


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