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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Hospitais sem infra-estrutura Unidades de saúde não têm condições de atender pacientes numa situação de epidemia da dengue no estado Mesmo sendo referência no tratamento de pacientes com dengue hemorrágica, os hospitais Otávio de Freitas e Oswaldo Cruz não estão preparados para uma epidemia da doença, possibilidade já admitida pela Secretaria Estadual de Saúde. Como as duas unidades não dispõem de setores especializados na dengue, os doentes têm que ser atendidos nas emergências, onde faltam leitos e equipamentos em número suficiente. As deficiências são apontadas pelos próprios diretores dos hospitais. No entanto, o secretário de Saúde, Gilliatt Falbo Neto, garante que nada indica a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento. No ano passado, foram confirmadas doze ocorrências da dengue hemorrágica, que pode ser fatal se não tratada a tempo. Só nos três primeiros meses de 1998, o número chegou a cinco. "Nossa emergência já trabalha com quase duas vezes mais pacientes do que deveria. Imagine se começarem a aparecer muitos doentes com dengue!", alerta o diretor-médico do Otávio de Freitas, Rivânio de Souza. O setor tem capacidade para 250 atendimentos por dia, mas a procura média é de 485 pessoas. De acordo com ele, o hospital já tem status de referência há dois anos, mas nunca recebeu nenhum reforço em equipamentos, materiais nem recursos humanos. Para implantar uma unidade específica, seria necessária a contratação de cem profissionais. "Teoricamente, ela já deveria estar funcionando, com uma equipe treinada para isso. Pelo menos a Secretaria assegura que está providenciando tudo", diz Rivânio. O diretor-médico acrescenta que a prioridade deve ser dada à complementação do quadro de médicos, enfermeiros e auxiliares, além do treinamento adequado. No Oswaldo Cruz, a situação não é diferente. Os dois setores onde a internação dos doentes deve ser feita - isolamento e clínica médica - estão passando por reformas e tiveram sua capacidade reduzida em mais de 50%. "Se ocorrer mesmo essa epidemia de dengue hemorrágica, teremos que improvisar e criar soluções de emergência. Nossa estrutura já está totalmente comprometida e vai haver uma sobrecarga", prevê o diretor, Ênio Cantarelli. O hospital também não tem um setor especializado na dengue.
ASSISTÊNCIA Para o secretário Gilliatt Falbo, não se pode criar uma situação de alarme sem motivo. "Não temos nenhum número que indique a necessidade de criar alas separadas para a dengue nos hospitais. Estamos trabalhando na prevenção e na assistência, tanto é que ninguém morreu de dengue hemorrágica no ano passado", afirmou. Sua visão não é compartilhada pela coordenadora do Programa Estadual de Controle do Dengue, Vânia Benigno, que admite o risco de uma epidemia e prevê sérias dificuldades em relação à estrutura hospitalar disponível. |
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