Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Polícia vai apurar agressão

Detento Elmo Souza, acusado de iniciar outra tentativa de fuga, foi baleado por militar

O policial militar que fazia a guarda interna do Presídio Professor Aníbal Bruno e atirou, ontem, no detento Elmo Roberto Sales de Souza, conhecido como Pelourinho, 25 anos, pode ter cometido excesso. O diretor da unidade prisional, capitão Roberto Galindo confirmou que a morte do soldado Joel Jorge Pereira da Silva, 26 anos, um dia antes, instalou um clima de insatisfação por parte dos policiais. A PM vai instaurar Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar o caso.

De início, o Capitão Galindo afirmou que somente o comandante da Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE) major Eduardo Fonseca, poderia falar sobre o caso. Galindo não revelou o nome do autor do disparo que atingiu o preso no abdome. Elmo Roberto está internado no Hospital Otávio de Freitas.

O major Fonseca, por sua vez, disse que o capitão tinha patente inferior a dele e que não podia escalá-lo para prestar informações. "Estou no presídio para falar com os policiais que fazem a guarda. A questão do preso ferido é com a direção do estabelecimento", destacou Fonseca. Minutos depois, decidiu contar uma versão para o que tinha acontecido com o preso ferido. "O detento estava em atitude suspeita, cavando um buraco na parede do pavilhão. Os próprios presos avisaram a tentativa de fuga, então os policiais foram para o local e um deles fez o disparo, cumprindo o dever dele que é manter a ordem pública", destacou. O preso ferido estava no Pavilhão de Segurança 3, destinado aos detentos brigões.

Questionado se houve excesso por parte do policial que atirou em Elmo Roberto, Eduardo Fonseca disse que não acredita nesta hipótese. "Só no momento a pessoa sabe como agir. Não adianta as pessoas ficarem em gabinetes querendo dizer como os policiais devem agir quando um preso está em atitude suspeita", afirmou o major, acrescentando que se tivesse no lugar do policial que atirou teria agido da mesma maneira. O major disse que não vai divulgar o nome do soldado que atirou em Elmo para evitar uma atitude precipitada.

ALVARÁ

Apesar de toda a movimentação no Presídio Aníbal Bruno, ontem, oito alvarás de soltura foram atendidos. Só que os presos foram colocados em uma Kombi e deixados num local afastado da entrada da unidade prisional. A direção quis evitar que os presos contassem à imprensa o que estava acontecendo lá dentro. "É um absurdo. Estou aqui durante horas e o preso é colocado em um carro e solto não sei onde, sem que ninguém avise nada", lamentou o advogado Joselo Correira filho.

Com relação ao impasse para a entrada dos advogados no Aníbal Bruno, Joselo Correia disse que acatava qualquer decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas que achava que a revista deveria acontecer para que os profissionais honestos não ficassem sob suspeita.

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