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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Outro dia de tensão no presídio Policiais criticam as condições de trabalho e presos tentam nova fuga O assassinato do soldado da Polícia Militar, Joel Jorge Pereira da Silva, 26 anos, durante a fuga de presos, anteontem, no Presídio Professor Aníbal Bruno deixou um clima de tensão dentro da unidade prisional. Disparos de arma de fogo, com um detento ferido, reivindicações de PMs, reuniões entre autoridades do sistema penitenciário e proibição da entrada de advogados, no dia de ontem, foram indicadores de que a tranqüilidade ainda não tinha se estabelecido. "Entre eu e o bandido, o bandido tem que morrer", afirmou exaltado, o comandante da Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE), major Eduardo Fonseca, ao ser questionado se houve excesso por parte do soldado que atirou, ontem, no preso Elmo Roberto Sales de Souza, 25. O detento teria sido flagrado fazendo um buraco na parede do pavilhão para fugir. Às oito da manhã, a equipe da Polícia Militar que entraria para render a guarda do dia anterior, se recusou a trabalhar no presídio. Inconformados com a morte do colega, eles denunciaram as péssimascondições de trabalho dentro do presídio, que vão desde a constante falta de água até a falta de garantia de vida. Os policiais pediam o aumento do efetivo policial, além da aquisição de coletes à prova de balas, munição e armas. Depois de uma manhã de negociações entre uma comissão dos policiais militares, o diretor do presídio, capitão Roberto Galindo, o major Severino Bittencourt, da Companhia Independente de Policiamento e Guarda de Estabelecimentos Prisionais (CIPGEP) e major Euse José Silva, da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), os policiais militares atenderam as principais reivindicações, como a compra de 29 coletes à prova de balas, o aumento de doze para 25 homens na guarda interna e uma gratificação (em tickets alimentação) para os policiais que trabalham em estabelecimentos prisionais. Segundo o capitão Galindo, os policiais também pediram a construção de um refeitório, melhorias nos alojamentos e a instalação de quatro caixas d'água de mil litros no presídio, para acabar com problemas no abastecimento. "Estes pontos serão atendidos a partir de hoje (ontem)", garantiu o diretor do presídio. A partir de agora, também de acordo com os resultados da reunião, os presos concessionados (que não ficam dentro dos pavilhões) não ficarão mais com as chaves das celas e apenas dois detentos encarregados da limpeza (pintura, capinação) poderão ter acesso aos instrumentos (estrovenga, enxada, pá, foice), que podem ser usados como armas. A guarda externa se revezou em turnos de duas horas, nas onze guaritas do presídio, trabalhou normalmente. No final da tarde chegaram 29 coletes à prova de balas e os reservatórios solicitados. A guarda também foi reforçada, passando de doze para 25 homens, que ficaram responsáveis pela segurança geral do presídio. |
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