Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

João Arraes entrega o cargo de secretário

Embora tenha se afastado da pasta, o ex-secretário nega ser candidato

O secretário de Segurança Pública do estado, João Arraes (PSB), encaminhou, ontem, correspondência ao governador Miguel Arraes, solicitando o seu afastamento do cargo. Até a noite, o governador ainda não tinha escolhido um substituto para assumir a SSP. Arraes convocou ao seu gabinete o diretor da secretaria Carlos Corrêa, mas, segundo apurou o DIÁRIO, nada ficou definido sobre seu ingresso no primeiro escalão do estado.

De acordo com um assessor do Palácio das Princesas, João Arraes alegou que desejava ficar livre para desempenhar qualquer tarefa que o governador lhe confiasse e negou que a sua atitude significasse que estava se desincompatibilizando para disputar as eleições. João Arraes vinha declarando à Imprensa e aos próprios integrantes do governo que não iria concorrer a nenhum cargo eletivo, mas sua decisão deixou claro para todos que as especulações relativas à sua candidatura a deputado estadual têm fundamento.

POLÊMICA

Delegado da Polícia Civil, João Arraes ocupou pela primeira vez a Secretaria de Segurança durante o governo de Carlos Wilson. Convocado por Arraes na última reforma do secretariado, voltou ao cargo de forma polêmica. Assim que tomou posse denunciou que a própria secretaria estava utilizando carros roubados que eram apreendidos pela polícia para a realização de trabalhos de rotina. Vereador do Recife, ele retornará à Câmara nos próximos dias. Com isso, o suplente, Gilberto Alves (PSB), que vinha ocupando sua vaga, terá que se afastar.

O governador esteve também, ontem, com o secretário da Fazenda, Eduardo Campos, que sairá da equipe até o próximo dia 3, quando termina o prazo para a desincompatibilização de candidatos.

Professores acabam paralisação no estado

Os estudantes da rede estadual de ensino poderão voltar às aulas na próxima segunda-feira. Os trabalhadores em educação resolveram suspender a greve da categoria, durante assembléia realizada à noite de ontem na quadra do Instituto de Educação de Pernambuco - IEP. A decisão de suspender a paralisação, iniciada a cinco dias, foi em virtude do governo, através de seus representantes na Comissão de Negociação, ter se comprometido a encaminhar à Assembléia Legislativa, até o dia 3 de abril, o Plano de Cargos e Carreiras - principal reivindicação dos trabalhadores em educação.

De acordo com Horácio Reis, diretor Financeiro do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintepe), a categoria vai acompanhar os trabalhos de elaboração do PCC, para que não haja desvio daquilo que ficou acertado na Comissão de Negociação. Na próxima segunda-feira, a diretoria do Sintepe tem reunião agendada com a Procuradoria Geral do Estado para acompanhar a elaboração do texto. A proposta deverá ser encaminhada à Assembléia e os professores já pediram uma audiência pública à Comissão de Educação do Legislativo.

Apesar de não ser considerado como reajuste salarial, a implantação do Plano de Cargos e Carreiras representará um incremento de R$ 4,6 milhões na folha de pagamento da Secretaria de Educação. Tempo de serviço, nível de escolaridade e especialização vão trazer aos trabalhadores em educação um acréscimo salarial que varia de 3% a 40%, na primeira fase do enquadramento, que retroage em março.

O pagamento dessa diferença salarial será feito em duas etapas: abril e novembro. O plano não contempla os trabalhadores em educação aposentados.

Noronha será área protegida

RIO - O ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, e o presidente do Conselho Diretor do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), José Roberto Marinho, assinam hoje um convênio para transformar o Parque Nacional de Fernando de Noronha na primeira área de proteção ambiental do país com projeto de visitação e recreação ecologicamente correto. A assinatura do convênio, em Fernando de Noronha, terá a presença do vice-presidente Marco Maciel.

Castração como pena de estupro

BRASÍLIA - A deputada Maria Valadão (PTB-GO) vai apresentar projeto autorizando a castração de estupradores por meio de processos químicos. Ela se disse assustada com o crescimento do número de estupros até contra crianças em Goiás e garantiu que a lei, se aprovada, provocará imediata redução dos casos. "Não serão usados métodos violentos, não haverá mutilação. Será aplicada uma injeção na base do pênis que bloqueia o fluxo de sangue para evitar a ereção", observou a deputada.

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