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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Nelson Mandela faz críticas a Washington E manda Clinton falar de paz com Cuba, Iraque e Líbia CIDADE DO CABO - O presidente sul-africano Nelson Mandela defendeu, ontem, diante de Bill Clinton, a amizade de seu país com Cuba, Iraque e Líbia, considerados fora-da-lei pelos Estados Unidos, e criticou a tendência americana de resolver as crises com a ameaça de recorrer à força. Mandela fez suas declarações em meia hora, ao iniciar a coletiva de Imprensa conjunta prevista com Clinton na Cidade do Cabo. Em suas palavras apaixonadas, Mandela mesclou elogios pessoais a Clinton e críticas severas à diplomacia americana, dizendo ter uma alta estima por Clinton, apesar dos erros que este possa ter cometido, destacando sua integridade. RESPEITO "Possuem um instinto seguro sobre as principais questões internacionais", disse Mandela referindo-se a Clinton e sua mulher Hillary, mas sem precisar a que erros se referiu antes. "Isto não significa que não tenhamos divergências", destacou Mandela, explicando que devido às discussões com Clinton tem mais respeito por ele porque percebe plenamente sua integridade esinceridade. Lembrou que havia se reunido com o presidente Fidel Castro, com o ex-presidente iraniano Alí Akbar Rafsanjani e com o líder líbio Muammar Kadhafi, dirigentes de três países considerados foras-da-lei por Washington, que tenta isolá-los da comunidade internacional. RECONHECIMENTO "Um dos primeiros chefes de Estado a quem convidei para vir ao país foi Fidel Castro", disse Mandela, destacando que depois do convite ao presidente cubano seguiram-se os do presidente iraniano e do líder líbio. "Tudo isso o faço em nome de princípios morais, segundo os quais não devemos abandonar quem nos ajudou nos momentos sombrios da história de nosso país", disse Mandela. "Não apenas nos apoiaram verbalmente, como também nos deram recursos para lutar contra o antigo regime segregacionista do apartheid na África do Sul", disse o mandatário sul-africano, em alusão à ajuda recebida por seu movimento, o Congresso Nacional Africano, desses países durante anos. PROPOSTA Depois convidou Clinton a propor aos inimigos dos Estados Unidos que se sentem em torno de uma mesa de negociações para falar de paz, em vez de recorrer à ameaça da força. Era uma crítica transparente à política norte-americana com relação ao Iraque. Durante a recente crise iraquiana, o governo sul-africano criticou a ameaça norte-americana de ataque militar ao Iraque se não fosse autorizada a inspeção dos especialistas da ONU aos palácios presidenciais. Em pé, junto de Mandela, Clinton ouviu em silêncio e evitou responder às palavras do líder sul-africano. |
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