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| (Atualizado no dia 25/3/1998) |
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EUA e Europa brigam por domínio Proposta de reforma na alocação dos endereços provoca debate intercontinental e divide opiniões Suzanne Perry BRUXELAS - Uma proposta dos Estados Unidos para reformar o sistema de alocação dos endereços de Internet está causando um debate intercontinental sobre quem deverá guiar a rede mundial de computadores no Século XXI. A Comissão Européia, em meio a uma espécie de batalha, acusa os Estados Unidos de não se esforçarem para envolver outros países em seus planos. Mas a opinião também é dividida, no país onde nasceu a Internet, sobre como controlar o ciberespaço agora, quando ele se espalhou por todo o planeta. O conflito imediato envolve o sistema de números e letras que permite aos usuários utilizar o correio eletrônico ou ter acesso às páginas na Internet ao digitar o endereço. O governo norte-americano gerencia parte do sistema, tentando fazer com que a origem da rede, nos Estados Unidos, se transforme em uma ferramenta de proteção a essas informações. ENDEREÇOS Mas em um documento publicado, em fevereiro, o Departamento de Comércio desenvolveu um plano para passar esse controle ao setor privado. Issogerou uma represália da alta cúpula da União Européia. "Aparentemente, a proposta não reconhece a necessidade de uma aproximação internacional", declarou a Comissão, respondendo que isso deve ser avaliado pelos quinze países da União Européia antes de ser adotado. A principal disputa envolve quem deverá registrar e administrar os domínios genéricos, que são os endereços de Internet com as terminações .com (usuários comerciais) .org (entidades sem fins lucrativos) e .net (provedores). Esses domínios são registrados pela Network Solutions Inc (NSI), empresa norte-americana que tem contrato com a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos. O plano de Washington, comandado pelo guru Ira Magaziner, pode quebrar o monopólio da NSI e responder à explosão da demanda de endereços adicionando cinco novas terminações, cada uma com um novo registro para gerenciar a base de dados. As empresas poderiam então competir, por lucro, com a NSI para registrar novos endereços. O plano também poderia envolver a criação de uma corporação sem fins lucrativos para controlar os endereços numéricos dos sites que são chamados sempre que um usuário digita o nome de um domínio. REGISTROS A iniciativa dos Estados Unidos gerou um plano de competição desenhado por uma coalizão global de companhias e grupos que criou o Conselho de Registros (Core), em Genebra, que espera iniciar os novos registros em breve. A coalizão, com mais de duzentas assinaturas envolvendo empresas que vão desde a France Telecom até a Digital Equipment Corporation, adotou um esquema, no ano passado, para sete novos tipos de domínio com a base de dados gerenciada pelo Core. Isto permitiria sete novas terminações. São elas: .shop, .firm, .web, .arts, .rec, .info e .nom. O Core teria assinado 88 registros em 23 países, incluindo 35 nos Estados Unidos, que já aceitou centenas de aplicações para os endereços na rede mundial de computadores. "Os programas foram criados para aceitar os registros", disse Siegfried Langenbach, integrante da cúpula do Core. "Algumas pessoas estão fazendo pré-registros." O envolvimento dos Estados Unidos paralisou os esforços nesse sentido, fazendo com que alguns integrantes do Core se sentissem traídos. "Fomos encorajados por Magaziner e seus serviços para seguirmos em frente", disse Alan McCluskey, coordenador do secretariado do Core. "Foi somente no último momento, quando eles preparavam o documento, que começamos a perceber que a intenção deles era outra." Um integrante do governo norte-americano respondeu que a administração Clinton sempre esteve ambivalente em relação à proposta do Core, sendo que o documento norte-americano foi fruto disso. Ele disse que os Estados Unidos queriam um sistema que dependesse menos de organismos internacionais, citando a ligação do Core com a União Internacional de Telecomunicações. "Queremos que a Internet esteja nas mãos da iniciativa privada, que se auto-regule e gerencie sua estruturação", disse ele. |
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