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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Barragem de Pirapama vira estratégia de marketing Uma estratégia de marketing vem sendo definida pelo governo do estado. Pretende-se mostrar à população o quanto é fundamental que sejam obtidos recursos antecipados da privatização da Celpe. Argumentos para isso não faltam. A construção do sistema de abastecimento de água de Pirapama é um deles. Essa obra pode acabar com os racionamentos na Região Metropolitana do Recife (RMR) em um ano e meio. E encerrar o desconforto de 1,8 milhão de pessoas. Mas, para ficar pronta, ela precisa dos R$ 200 milhões que estavam assegurados com a antecipação do BNDES. Se não for feita agora, a escassez de água continua até o ano 2000. O secretário de Infra-estrutura, João Bosco de Almeida, argumenta que a obra não pode mais sofrer atrasos. Ela foi iniciada há sete anos e seria concluída no final de 99 - depois que uma primeira etapa entrasse em operação e acabasse, em pouco mais de um ano, com os racionamentos. A primeira fase demandaria R$ 100 milhões. Pirapama tem uma capacidade projetada equivalente a metade de toda a águaproduzida hoje pela Compesa na RMR. Pode gerar 5,6 mil litros por segundo. O déficit da região é atualmente de três mil litros por segundo. Outras obras estruturadoras também estão nos argumentos do governo - dirigidos principalmente aos adversários políticos, que são responsabilizados pelo fracasso da operação com o BNDES. O discurso envolve ainda o Complexo Industrial e Portuário de Suape. Fundamental para a economia do estado, Suape teria sua construção acelerada com o dinheiro da Celpe. Contará agora simplesmente com o que está previsto no Orçamento da União (R$ 63 milhões), além de uma contrapartida do estado de R$ 6 milhões. "Se não fazemos Suape agora, a população sofrerá conseqüências econômicas nos próximos anos", ressaltou ontem o secretário de Imprensa, Evaldo Costa. O governo, acrescenta João Bosco, da Infra-estrutura, também não permitirá que algumas obras já em andamento sejam paralisadas pelo problema criado com a decisão do TCU. Duas prioridades já foram definidas: a eletrificação rural eo abastecimento de água no interior. No primeiro caso, o presidente da Celpe já acionou seus assessores financeiros para estudarem a melhor maneira de conseguir dinheiro para financiar a eletrificação, orçada em R$ 120 milhões. Estuda-se se é melhor a companhia lançar títulos (debêntures ou recebíveis) ou simplesmente contrair um empréstimo bancário. Como a Celpe deve apenas R$ 40 milhões, menos que o faturamento de um mês, é possível captar dinheiro com facilidade. No caso das adutoras e do fornecimento de água no interior, João Bosco de Almeida, explica que a Compesa já contratou empréstimos de R$ 150 milhões. Dinheiro alavancado com sua própria capacidade financeira. Essa quantia é que garantirá as obras menores, como as adutoras, orçadas em R$ 30 milhões. O problema é que sem o dinheiro da Celpe, faltarão recursos para os projetos de habitação, transportes urbanos e segurança. |
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