Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Opções de empréstimo

Fátima Beltrão
Da equipe do DIÁRIO

Com a possibilidade de não receber a antecipação de R$ 700 milhões pela venda da Celpe, o governo trabalha com duas opções. Realizar uma operação conhecida no mercado como ARO - antecipação de receita orçamentária - ou ainda levar a Celpe a pedir empréstimo no mercado interno ou aos bancos estrangeiros. Qualquer que seja a escolha, o governo vai desembolsar dinheiro para pagar os juros do empréstimo. Vamos ver quanto gastaria em cada uma delas.

Se os R$ 700 da antecipação do BNDES viessem, o governo do Estado pagaria por eles, em novembro quando deverá ser feito o leilão das ações da companhia, R$ 81,2 milhões de juros. A antecipação seria feita com base em uma taxa de 8% de juros ao ano mais a TJLP - taxa de juros de longo prazo - que está em 11,7% ao ano, o que daria uma taxa anual de 20,70%. Barata em comparação com o mercado.

Como o dinheiro da antecipação está difícil de sair, o governo pode pedir à Celpe que tome um empréstimo de R$ 100 milhões nos bancos privados nacionais ou estrangeiros. Se pedir a bancos privados nacionais vai pagar juros de 35% ao ano e no final do empréstimo, em novembro, pagaria de juros R$ 19,1 milhões. Bem mais caro que os juros do BNDES, ou seja, o governo perde mais dinheiro.

Caso recorra a empréstimos estrangeiros pode pagar menos de juros, cerca de 16% ao ano se o banco for americano, cuja taxa de juros é a Tbond. Isso custaria ao governo R$ 9,040 milhões, em novembro. Só que o empréstimo nos bancos estrangeiros não é tão fácil. O governo do Estado teria que internar recursos, ou seja, vender papéis no mercado, como LFTE - letras financeiras do tesouro do Estado - para garantir o empréstimo.

Como os R$ 100 milhões de empréstimo da Celpe dariam apenas para o programa de eletrificação rural, o governo pode lançar mão de uma operação de ARO - antecipação de receita operacional, para captar mais R$ 400 milhões. Essa operação é feita entre bancos e com autorização do Banco Central, que pode ser, inclusive política.

Funciona assim: um banco privado nacional pede o dinheiro a um banco privado estrangeiro. As taxas de juros variam de banco para banco. O DIÁRIO conseguiu a taxa média que estava sendo cobrada no mercado em outubro, antes da crise asiática. Eram de 3,18% ao mês nas operações prefixadas. Ou 45,9% ao ano. Uma taxa exorbitante.

As taxas atualizadas para operações de ARO já devem estar mais baixas, no entanto o BC não divulga. Em qualquer uma delas as ações da Celpe poderiam entrar como garantia. Afinal é uma empresa rentável e que deve alcançar um bom preço no leilão de privatização. Há quem aposte até em R$ 3 bilhões.

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