Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Cai nível de emprego na indústria

Janeiro, mês que teve uma queda de 8,1%, foi o sétimo consecutivo a registrar redução de vagas no setor

RIO - O nível de emprego industrial no Brasil caiu em janeiro 8,1% em relação a janeiro do ano passado. Segundo a pesquisa mensal do IBGE, a queda em relação a dezembro de 97 foi de 0,8%. Janeiro foi o sétimo mês consecutivo de redução do número de vagas na indústria brasileira. Em relação a junho, último mês em que houve aumento de vagas, a queda no emprego somava em janeiro 4,9%.

Em 12 meses, o recuo acumulado era de 5,9%. De acordo com o IBGE, houve redução do emprego em todas as cinco áreas pesquisadas. O pior resultado na comparação mês a mês foi da indústria do estado do Rio de Janeiro, com queda de 1,2%. Em relação a janeiro de 97, a redução de vagas no Rio foi de 11%.

Dos 21 segmentos que fazem parte da pesquisa, 12 fecharam vagas, com destaque para a indústria de alimentos, com menos 7,3%. A indústria do Nordeste fechou 1,1% dos postos de trabalho de dezembro do ano passado para janeiro deste ano. O pior resultado foi da indústria extrativa mineral, que fechou 10% das vagas. Em relação a janeiro do ano passado, o Nordeste fechou 8,5% dos postos de trabalho.

Em São Paulo, a queda no nível de emprego foi de 0,7% na comparação mês a mês e de 9,5% na comparação com janeiro do ano passado. Os piores desempenhos de um mês para o outro foram das indústrias editorial e gráfica, com menos 3,8%, e da de madeiras, com menos 2,4%. Na comparação com janeiro de 97, a queda no emprego em São Paulo atingiu todos os 21 segmentos pesquisados, sendo o pior resultado o da indústria têxtil, com queda de 20,1%.

Também foi de 0,7% a queda do emprego em Minas Gerais na comparação de janeiro com dezembro. Em relação a janeiro de 97, a queda foi de 6,1%. Na região Sul, a queda foi de 0,5% sobre dezembro e de 5% em relação a janeiro de 97. O IBGE constatou também que em janeiro a massa de salários pagos pela indústria caiu 1,4% em relação a dezembro. O salário médio ficou 0,7% menor.

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que a taxa de desemprego poderá crescer em fevereiro. O índice, que em janeiro foi de 7,25%,será divulgado na próxima segunda-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Como causa desse aumento, Malan citou fatores sazonais e reconheceu também o reflexo das medidas econômicas tomadas pelo governo após a crise da Ásia.

"Não vou negar que as medidas que tomamos tiveram reflexos, mas acredito que a situação econômica estaria pior sem essas medidas", disse o ministro. Para Malan, a elevação na taxa de desemprego medida pelo Dieese é importante, mas reflete apenas o desemprego na área metropolitana de São Paulo e difere da metodologia utilizada pelo IBGE.


Brasileiro não tem aumento de rendimentos

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