Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Volume de empréstimo diminui

BRASÍLIA - O volume de crédito do sistema financeiro para pessoas físicas caiu 40% no período de 12 meses encerrado em janeiro, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. Os empréstimos do setor financeiro às pessoas físicas vinham apresentando crescimento desde o início de 1996. Essa tendência foi interrompida pela alta de juros imposta pelo BC após a crise asiática. Em novembro do ano passado, os empréstimos eram de R$ 31,629 bilhões. Esse volume caiu para R$ 29,948 bilhões em dezembro e fechou janeiro em R$ 29,5 bilhões.   Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, essa queda pode indicar que as pessoas físicas não estão se endividando. A redução do percentual também pode significar o aumento da inadimplência. É que no valor total das dívidas das pessoas físicas com o setor privado estão incluídos apenas os compromissos que estão sendo quitados em dia. Os empréstimos em atraso já podem estar em renegociação ou sendo executados. Entretanto, a inadimplência no sistema financeiro apresentou um pequeno aumento de dezembro para janeiro -de 7,2% para 7,3%.

O refinanciamento das dívidas dos estados pela União provocou a redução do endividamento do setor público com os bancos. No período de 12 meses terminado em janeiro, a queda chegou a 32,5%, segundo os dados do BC. Para os governos estaduais e municipais, a redução chegou a 33,5% nesse período. A queda ocorreu principalmente na passagem de novembro para dezembro com o pagamento da dívida do estado de São Paulo com o Banespa, no valor de R$ 24,3 bilhões.

DÍVIDA

A dívida do governo federal com os bancos privados diminuiu 22% em 12 meses, sempre usando os dados até janeiro. Contribuiu para esse desempenho, segundo Lopes, a transferência das dívidas das empresas privatizadas para o setor privado. Em janeiro, a dívida do setor público junto aos bancos somava R$ 41,54 bilhões, sendo R$ 37,458 bilhões de estados e municípios e R$ 4,082 bilhões do governo federal.

A queda da dívida não significa que as contas públicas melhoraram. No casode São Paulo, por exemplo, o estado passou a dever à União. As dívidas em títulos não entram no cálculo.

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